Cidade

quinta-feira, 31 de outubro de 2013 às 9:00

Qual o preço da morte?

A única certeza da vida custa caro. E, com ela, outra convicção se revela: mesmo depois de mortos, o falecido dará muito trabalho e despesa para os familiares

Caixão é o acessório mais caro
Caixão é o acessório mais caroCrédito: Francisco de Assis

São nos momentos mais difíceis das nossas vidas que reside o ganha-pão deles. Os agentes funerários vivem da morte e, com ela, vivem e convivem. Eles são o primeiro contato da família para que possam sepultar um parente de forma digna. E lidam com todo tipo de classe social, dos mais ricos e abastados até os mais pobres e humildes, visto que na morte todos se igualam.

Mas quanto sai morrer nos dias de hoje? Uma pesquisa em funerárias de Bagé mostrou que os valores oscilam e, o que existe de mais caro, é o caixão.

Por R$ 1,2 mil é possível contratar os serviços mais básicos de uma funerária qualificada para enterrar uma pessoa com dignidade, de acordo com os ritos da cultura ocidental. Neste valor estão embutidos, além do caixão, acessórios como a coroa de flores, o véu e o manto. Mortalhas quase não vendem mais, visto que, muitos, em vida, já escolhem com que roupa dormir o sono eterno. Claro que, neste caso, todo o material fornecido é o mais acessível e destinado às famílias com dificuldades financeiras. Após a contratação e pagamento deste serviço, parte-se para o velório e, após, para o cemitério. Cada qual com seus custos.

O aluguel de uma sala para a realização do velório pode sair por R$ 180, no local mais barato de Bagé. Uma gaveta no cemitério mais em conta sai por R$ 560, pelo período de três anos. Após, a família deve comprá-la, o que não sai por menos de R$ 2 mil. Caso não queiram adquiri-la, dá direito ao cemitério alugar para outras pessoas.

Contratando os serviços mais básicos para um funeral, uma família pobre não gastará menos que R$ 1.940, o que está longe de ser barato. Afora transtornos de última hora, traslados (for o caso) e outros serviços inerentes ao momento.

Para aqueles que desejam mais luxo e requinte ao finado, os preços alçam voo. Caixões de R$ 7 mil, gavetas de R$ 1.240 no cemitério mais caro e aluguéis de sala para velório com ar-condicionado a R$ 450, elevam para R$ 8.690 um enterro com mais pompas que o normal. Além de outros serviços paralelos, como maquiagem, lavagem do corpo e coroas de flores extras, que custam R$ 130, em média, cada uma. Tudo isso é cobrado por fora.

Em casos de cremação os preços são ainda mais elevados. Como Bagé não dispõe de crematório, o corpo tem de ser trasladado até Porto Alegre (ou região metropolitana, onde tenham cidades) num caixão ecológico - exigência de algumas empresas. Cremar um ente querido pode variar de R$ 4,2 mil até R$ 22.177 mil. Neste caso o cadáver é velado numa capela ecumênica com capacidade para 120 pessoas sentadas, televisão, frigobar e transmissão em tempo real pela internet do velório, para aqueles parentes que não puderam se fazer presentes. Após o ritual, as cinzas são entregues numa urna de quase R$ 1 mil, mas que já está inclusa no preço.

Morrer custa caro, sem dúvida. A dica é pesquisar empresas com melhores preços e que ofereçam um serviço funerário qualificado. O que ninguém quer nessa hora são transtornos extras. A tristeza já é o bastante. Ninguém gosta de passar por momentos como esse. A morte não é o fim. Fim, mesmo, é quando a última parcela do serviço funerário termina. 


Por: Felipe Severo

 
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