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por: Álvaro Larangeira Teixeira
 
[02h:39min] 04/07/2008 - Opinião
Achou o culpado?
Sempre achamos uma desculpa para tudo o que fazemos. Se derrubamos alguma coisa, olhamos para os lados à procura de uma “desculpa” ou a quem culpar pela nossa falha.
 

Chegamos muitas vezes a arranjar “desculpas” incríveis para justificar a nossa incompetência.
Meus filhos reclamam do meu olhar, que muitas vezes os atrapalha em tarefas simples. Eles conseguem derramar o leite quando o estão transferindo da embalagem para o copo e o culpado é sempre o meu olhar. Se o Super-Homem descobrisse o poder do meu olhar, certamente ficaria com inveja.
Se alguém nos cobra alguma coisa que deixamos de fazer, sempre temos a quem culpar por não termos concluído a tarefa. A culpa quase sempre não é nossa, é do outro que não nos entregou o que precisávamos a tempo ou deixou de nos avisar de algo.
Lembro-me dos tempos em que eu ainda estava no colégio e que todo mundo usava a mesma desculpa para todos os atrasos acontecidos.
– O relógio não despertou!
Quando alguém dava essa desculpa, eu ficava pensando no “despertador”. Lembram? Aquele objeto que ficava a noite toda fazendo o seu característico tic-tac. E, perto da hora desejada – pois precisão não era o seu forte –, começava a tocar uma campainha estridente. Eu ficava imaginando o que poderia acontecer para que esse relógio não tocasse. E sempre chegava às mesmas conclusões. Ou estava estragado e não despertava mais; ou o dono do relógio e da desculpa não havia dado corda; ou na hora de regular o despertador, não o fez de forma adequada e o resultado foi não despertar na hora desejada.
Enfim, eu não sabia como colocavam a culpa no despertador...
– O despertador não tocou! E lá estava o coitado cheio de culpa novamente.
Não consigo explicar por que não assumimos a nossa culpa por menor que esta seja. Quando temos a capacidade de assumi-la, estamos dizendo a nós mesmos que podemos fazer melhor do que estamos fazendo. Quando procuramos um culpado, estamos dizendo para nós que os culpados são os outros. E, como os outros são os culpados, nós estamos certos e vamos continuar do jeito que estamos. Não precisamos mudar nem aprender, pois a culpa não é nossa e, portanto, estamos perto da perfeição.
Como seria mais fácil assumir a culpa e aprender com ela! Toda vez que achamos um culpado, não precisamos fazer nada, afinal a culpa não é nossa. Quando chegamos atrasados a qualquer lugar e usamos a famosa desculpa de que o relógio não despertou, estamos dizendo a nós mesmos que não somos culpados do nosso atraso e que se repetir não vai ser por nossa culpa e sim dos outros, do tráfego, do despertador, do vizinho, etc.
O que, então, deveríamos fazer cada vez que alguma coisa não acontece como deveria?
Deveríamos carregar um espelho conosco. As mulheres já têm um dentro da bolsa, junto às outras ferramentas de manutenção rápida. Primeiro, pensamos que deve haver um culpado para que “aquilo” não tenha acontecido como deveria. Pegamos o espelho e olhamos com firmeza. E respondemos à pergunta: “Achou o culpado?”.
 
 

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