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“Lula é PT”. Ao ler aquilo minha primeira reação foi perguntar: “E alguém duvida disso?” Apesar de ninguém ter perguntado ou duvidado, algo levou algum marketeiro do PT a confeccionar aquela obviedade que depois seria largamente ostentada nas campanhas municipais.
Dizer que o Lula é PT é tão elementar quanto dizer que Bento XVI é cristão, Obama é Democrata, Brizola é (era) PDT, Paulo Santana é Grêmio ou que Guanaco é PP. Então, pra que dizer? Nos últimos anos o PT mudou tanto que, de repente, alguém pode achar que está sob nova direção. O PT da militância voluntária e entusiasmada virou o PT da militância remunerada ou cheia de segundas intenções. O PT dos bancários como Olívio virou o PT dos banqueiros como Henrique Meirelles. O PT das campanhas pobres e criativas virou o PT das campanhas milionárias financiadas por verbas que semeiam a corrupção em seus governos. O PT da coerência ideológica virou o PT do fisiologismo, do mensalão, um partido que se coliga com qualquer coisa que lhe traga vantagem. O PT criado no berço do sindicalismo se rendeu à exploração capitalista da mão-de-obra assalariada.
O PT, então, passou por uma metamorfose ao contrário, ou seja, a borboleta se transformou numa lagarta. Ou inverteu a fábula: o cisne virou um patinho feio. Quem olha o PT de hoje não consegue ver quase nada do PT de ontem a não ser ele, o seu líder. Lula ainda tem a cara, o jeito, o discurso e o sotaque do velho PT. Assim, Lula é praticamente a única coisa que sobrou daquele PT de outrora, o elo perdido, alguém que ainda traz a lembrança de um partido que não existe mais, um partido diferente dos demais. Desta forma se compreende a preocupação em reafirmar que “Lula é PT” como que para dizer que nem tudo está perdido, que ainda resta uma esperança. Porém enquanto escrevia estas mal traçadas linhas me ocorreu uma questão que deixo para os leitores do Minuano: “Lula é PT” ou “PT é Lula”?
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Fiquei muito feliz com o resultado das eleições na cidade do Rio de Janeiro onde, apesar de acuados pelos traficantes e escoltados pelo exército, os eleitores tiveram a felicidade de dar o 2º lugar (e o direito de disputar o 2º turno) ao Fernando Gabeira. Não que eu morra de amores pelo Gabeira, mas sua conquista significou a derrota de um tocaio meu, emissário dos neopentecostais. A experiência humana na Terra demonstra que toda vez que se misturou religião com política não deu boa coisa, por isso, quanto mais distantes da política ficarem os religiosos, melhor. Já diz a sabedoria popular: Cada macaco no seu galho.
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Quando o número de vereadores em Bagé foi reduzido de 21 para 11 num abuso de autoridade do Judiciário, profetizei que isso iria ferir de morte a representatividade do nosso legislativo municipal. Pois bem, na segunda legislatura com 11 vereadores, o Executivo consegue eleger oito apoiadores. Se alguém acha que isso é bom, responda: Os representantes do povo representarão os interesses do povo ou do Executivo? Com a proporção atual e a futura, a menos que os interesses do Executivo coincidam com os interesses do povo, a tendência é que o povo continue sem representação até 2012. |