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por: Cláudio Falcão
 
[23h:29min] 17/06/2009 - Água fora?
Chafarizes vão completar centenário
Com o início do racionamento de água na cidade, qualquer artefato que indique perda de água está sujeito ao olho crítico e atento da comunidade.
 
Bosco
ANJINHOS: na verdade são pequenos Bacos
 

Vários são os telefonemas aos veículos de comunicação da cidade dando conta de informações e denúncias quanto ao uso ou mau uso da água. Nesse cenário, os chafarizes da Praça Silveira Martins, recentemente recuperados, têm sido alvo de comentários da população no sentido de que, com eles, o poder público está desperdiçando água e, de quebra, dando um rotundo mau exemplo. Nem tanto ao mar nem tanto à Terra. Os chafarizes funcionam na base de um sistema de retroalimentação onde a água disponível no laguinho é a mesma que jorra da figura central. Não há perda, portanto. O que poucos na comunidade sabem, entretanto, é que os dois chafarizes que voltaram a funcionar na praça estarão completando seus primeiros cem anos de existência. As figuras centrais, de acordo com o historiador Cláudio Boucinha, chefe do Arquivo Público Municipal, não são “anjinhos” como costuma-se dizer. Na verdade trata-se de imagens da mitologia greco-romana e que são inspiradas em uma das praças centrais de Montevidéu, a Plaza Constitución. Boucinha explicou que, na capital uruguaia, o monumento faz parte de uma fonte em homenagem à Maçonaria, razão pela qual as daqui possuem símbolos maçônicos e alquímicos. Os chafarizes completos, com tanque e estátuas, foram concluídos em 1909, no dia 10 de outubro, durante a “Exposição Rural”. As imagens foram encomendadas à Fundição Indígena, no Rio de Janeiro pelo intendente da época. São praticamente seculares os chafarizes e não estão imunes à ação da modernidade. Uma das asas da figura alada que acompanha o pequeno Baco já não está mais. Tudo indica que foi roubada e o metal vendido a peso. É a história da cidade se perdendo no ralo do tempo.
 
 

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