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Procuro dar a volta por cima analisando coisas boas, me apegando a elas. Até que, quando menos espero, melhoro e já tô rindo de novo. Esse é o lado bom dos debochados por natureza, como eu, que veem numa fagulha a possibilidade de criar um incêndio. Não é apenas a minha situação, mas a da população de Bagé em geral que me preocupa neste final de ano. Não é para menos. Corremos o risco de encarar o Natal mais chinfrin dos últimos anos. Não é hora de apontar culpados. Apenas de rever conceitos, ter novas ideias e aplicá-las.
O maior exemplo disso é a popular e gloriosa Praça Esporte. Ponto de encontro de famílias bajeenses aos domingos. Palco de atrações para shows de gente da terra e eventos diversos. Pois bem. Quando li no MINUANO informação de que 80% daquele troço que fizeram por lá estava pronto, não acreditei. Como um bom chato fui conferir in loco a situação. Olha, se 80%¨da praça está pronta então se prepare para viver no meio da sucata. O local está cheio de ferro, o monumento que fica no meio da praça está pichado, tem pedaço de concreto para tudo que é lado, os banheiros não estão prontos, a grama está alta, os quiosques estão inacabados, a concha acústica está com barras de ferro à mostra... definitivamente não dá!!! Apenas uma parte da calçada pela Presidente Vargas e outra pela Marechal Deodoro estão melhorezinhas.
Aliás, tanto pela Floriano quanto pela Sete tem cada buraco (que servia para segurar aquele cercado de dar dó que havia) que se colocarem uma estaca é só arrumar o cavalo. Parece um estacionamento equino. E não entendo até agora como conseguiram fazer os sorteios da promoção de Natal da Aciba ali. A alegação é de que como o sorteio é regulamentado pela Caixa Federal (aliás, alguma outra promoção em Bagé teve esse cuidado de buscar a legalização?) e teve o local estabelecido, não poderia mudar. Tá certo. Mas contaram com o ovo antes da galinha – ou seja: a Praça Esporte pronta. Confiaram na avaliação da prefeitura e se deram mal. Todo mundo vê e sabe que coisa horrível ficou. Erro dos organizadores, mas erro maior do município que serviu como avalista. Moral da história: uma iniciativa interessante para estimular o comércio no período natalino, com grande adesão das empresas e com o público bem interessado nos prêmios onde, pra fazer o sorteio, os espectadores ficam sentados em postes de ferro. Sim, porque não têm bancos de madeira ainda prontos na volta da concha acústica (que o padre Dácio Bona, diretor do Colégio Auxiliadora, deve adorar com as aulas em andamento). Menos mal que para tudo tem solução e parece que o local do sorteio – importante para a comunidade – vai mudar.
Outro fator depressivo neste final de ano do bajeense é a iluminação natalina. Que coisa!!! Falemos bem a verdade: do jeito que está era melhor ter ficado sem. Todo mundo aceitaria que o dinheiro é curto, que não daria por outras prioridades. Ou então buscar parceria com as lojas, sei lá. O que não pode é a quadra da Bento Gonçalves, entre a Sete e a Floriano, estar mais ornamentada que a principal avenida da cidade. Na Bento tá bonito! E sabe como foi feito? Os próprios lojistas se organizaram, investiram e aplicaram a decoração. Pergunta para eles se não houve reflexo nas vendas? É claro que teve, o comércio ficou incrementado. E isso estimula o consumidor. Quem fica chorando as mágoas e não quer investir – ainda mais nesse período que, inevitavelmente, enche o cofre das empresas – fica chupando o dedo.
E é aí que mudo o rumo desta prosa. Além da iniciativa do pessoal da quadra da Bento, o Cobame também agiu. Talvez instigado pela sensibilidade feminina, botou a cara à tapa e organizou dois concursos – um de vitrines enfeitadas e outro de fotografia. Deu certo? Pode até não obter o resultado esperado. Mas não ficou só no discurso opaco. A ideia foi posta em prática. Para 2010, com um incentivo maior, tem tudo para dar certo. Se as vitrines estão abaixo da crítica – para não dizer horrorosas – também existem boas exceções. O Iporã Center que o diga, está embelezado – até eu tirei fotos com dona Suélen por ali. Só que nossos empresários/empreendedores têm que parar para pensar que com criatividade os obstáculos podem ser vencidos. Não dá é para ter preguiça de pensar. Até as serenatas de Natal foram reativadas pelo Movimento Familiar Cristão e pelo grupo Bufões da Rainha. O espírito natalino é uma união entre solidariedade, agradecimento e beleza.
Que as lições de 2009 não sejam esquecidas. Afinal, toda depressão tem tratamento. E cura! |