ARQUIVO JM |
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Assim o turista é logo encaminhado para lugares onde eles se situam; ou lutaram determinadas personagens; como também para sítios onde nasceram heróis, ali conservados os documentos, livros ou fotos que atestam uma existência de glória.
Mesmo em Roma, cuja plenitude já é enciclopédia de lembranças, se acha uma zona em que se concentram as arenas, os monumentos, os passeios empedrados, os velhos átrios em que ainda ressoam as vozes dos grandes oradores, castelos destruídos, as vias onde circularam as brigas com gladiadores e militares; o mar de Marbela se ajoelha perante a excentricidade de seu “casco viejo”, com suas ruelas esguias e tortas, um labirinto sitiado por lojinhas e comércio sedutor; ou o simpático bairro judeu nas cercanias da catedral de Sevilha, as moradias perfuradas nas rochas de onde se divisam as luzes do Alhambra; as mesquitas que substituem as igrejas que sucumbem para as mesquitas que se transformam em catedrais e assim sempre conforme a ocupação árabe ou cristã, respeito na conservação de estruturas majestosas; a zona portuária de Montevidéu; ou as margens Sena que acolhem de um lado e outro os prédios e jardins que se visitam numa espichada e a pé; por que não Porto Alegre que junta em âmbito vizinho as lembranças arquitetônicas de muitas épocas? Ou o Rio de Janeiro que perto das barcas reúne a melhor lembrança lusitana.
Pois bem, os historiadores são unânimes em apontar Bagé como testemunha de grandes refregas e cenário de acontecimentos relevantes; a definição dos limites pátrios; a república farroupilha foi proclamada em campos que lhe pertenciam; efemeramente aqui também se instalou a capital dos revoltosos; os instantes mais significativos da luta de noventa e três ocorreram em seu perímetro; também gestados partidos que tiveram notável atuação; uma admirável imprensa anarquista, inclusive dirigida por mulheres surpreendeu o país; um apostolado positivista aqui fincou raízes; a assinatura de tratados de pacificação; uma precoce libertação de escravos; surgimento inovador de ferrovias, eletricidade e telefonia; basta?
Ante a robustez de um passado glorioso impõe-se fixar um marco que represente esse buquê de fatos e nobreza histórica, tal como fazem as cidades mais prestigiadas.
E denominar como “centro histórico” o espaço a ser delimitado por quem de direito e que tenha como núcleo a Praça da Matriz, em cujo entorno se identificarão os pontos de mais destacada recordação, a antiga capela onde casou o General Osório e suas paredes alvejadas pelos projéteis da luta entre irmãos; o túmulo de Silveira Martins, mais adiante o museu, a maçonaria centenária, a casa de pedra, o sepulcro do General Neto, a destacada arte funerária, enfim.
E quando se precisar alguma indicação se dirá “fica no centro histórico”; quando se estabelecer um comércio será no “centro histórico”; e os namorados dirão “vamos nos encontrar no centro histórico”? A turma dominical já tem seu mate no “centro histórico”.
– Onde moras? Perto de centro histórico.
Acreditem, vale a pena examinar.