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Ernestina: cansada de tantos projetos e pouca ação |
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Em outubro de 2007, a reportagem especial do Jornal Minuano registrou que aproximadamente 100 famílias viviam em situação de risco social na cidade. Mais de dois anos se passaram e a situação continua grave. Em levantamento feito após a enxurrada do dia 18 de novembro, descobriu-se 172 famílias vivendo em áreas próximas aos arroios da cidade, engrossando a lista das moradias de risco. O déficit habitacional da cidade diminuiu, mas ainda é considerado alto. Em 2002 era de 3,5 mil moradias na zona urbana e 900 na área rural. Em levantamento feito no ano passado para o Plano Local de Habitação e Interesse Social, o número foi de 3130 moradias na zona urbana e 716 na rural (descontando 38 moradias já construídas para amenizar o problema).
O secretário municipal de Habitação, Guto Nadal, disse em entrevista ao Jornal MINUANO, publicada em 13 de janeiro, que 12 pontos de ocupação urbana irregular já foram detectados na cidade. Entre eles estão a Vila Miséria e a área verde do Bairro Tiaraju, os mais antigos e conhecidos.
Na tarde de ontem, Nadal recebeu a reportagem do Jornal MINUANO para comentar o problema. Ele falou sobre os projetos de moradia que estão sendo trabalhados visando diminuir estes índices. Na Vila Miséria, está sendo programada uma realocação das famílias para uma área da Prefeitura no bairro Santa Cecília. Cerca de 60 famílias devem ser deslocadas para uma área de 1,5 mil hectares. Em uma expectativa positiva o projeto pode sair do papel ainda este ano. Para os loteamentos irregulares do bairro Malafaia, o secretário informa que está sendo organizada a realocação em uma área próxima, de 5 mil metros quadrados, beneficiando 26 famílias. No Tiaraju, o projeto já está concluído e a licença ambiental está tramitando. A ideia é beneficiar 28 famílias no local. O secretário diz que o censo realizado este ano deve trazer novas informações sobre o déficit habitacional na cidade.
A situação de quem vive assim
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Enquanto os projetos continuam tramitando, as famílias que vivem nestes locais já perderam a esperança de viver em melhores condições. A faxineira Ernestina Soares Lopes, de 26 anos, vive na Vila Miséria há quatro com o marido e a irmã. Ela conta que o esgoto a céu aberto, as condições das casas e a chuva que invade a casa são os principais problemas. A família já está inscrita no Programa Minha Casa Minha Vida, mas as esperanças já não são as mesmas de tempos atrás. “Olha, projetos já ouvimos muitos, o difícil é sair do papel. Só falam, fazer que é bom não fazem”, reclama. Ernestina não tem filhos pequenos, mas lembra da situação dos vizinhos com as crianças na chegada o inverno. “Fica tudo bem pior”, comenta.