ANO: 25 | Nº: 6488

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
04/06/2016 João L. Roschildt (Opinião)

Direito à educação ou direito à mapa astral?

O ator e comediante John Cleese afirmou que o humor é importante porque nos oferta o senso de proporção da realidade. Reparem que, sem a comédia, perde-se a exata medida do real, do verdadeiro e até mesmo do correto. Há alguns dias, um amigo me disse: "João, se eu não te conhecesse, acharia que as tuas colunas seriam escritas por alguém muito velho". Sem citar nomes. Não exponho as pessoas. Sem tal informação, meu amigo não será acusado de "velhofobia". Idosos do mundo, uni-vos! O problema é que concordo com a afirmação sobre as minhas colunas. Questão de bom senso.

Há um artigo (disponível no site da Revista Época) do Prof. Fernando Schüler, intitulado "É ético utilizar a sala de aula pra fazer a cabeça de nossos alunos?", que denuncia o viés ideológico nos livros didáticos utilizados nas áreas de História e Sociologia. Dos dez livros analisados (das melhores editoras, utilizados em várias escolas públicas e privadas), 100% deles se comportam na seguinte dicotomia: enquanto o liberalismo é algo ruim, as decorrências do marxismo representam algo bom. Em março do corrente ano, o Ministério Público Federal do Mato Grosso decidiu instaurar um inquérito para averiguar essa situação, afinal o ensino pressupõe o pluralismo de ideias.

Ultimamente, escolas e universidades federais estão "ocupadas" (invadidas!) por estudantes que defendem melhorias no ensino. Será? Vamos a alguns fatos públicos divulgados por diversos meios de comunicação.

Na Unipampa, durante a ocupação, foram programadas oficinas de mapa astral (reportagem do Jornal Minuano, de 31/05/2016); em Pelotas, estudantes buscam oficinas de teatro "porque queremos 'sair do cópia' do quadro, ou das aulas onde o professor fica lendo livros, e a gente só escuta"; nas redes sociais, há frases do tipo "aprendi muita mais coisa na ocupação do que durante toda a minha vida na escola", sempre atreladas às ideias de empoderamento, trabalhador explorado e capital que oprime; e o sociólogo Guilherme Howes, da Unipampa, ao analisar as "ocupações", no Diário de Santa Maria (30/05/2016), apontou que a educação é "retrógrada, desinteressante e alienada do mundo que os alunos estão vivendo", e que a "gurizada está retomando as bandeiras que se opõem claramente" ao neoliberalismo e à "onda conservadora" (somente o humor para manter a sanidade!), destacando que todos sabem como as "ocupações" começam, mas ninguém sabe como terminam. Eis o resumo da ópera: é regida por maestros que desconhecem a realidade, possuem tenores com limitada capacidade vocal, e a orquestra sequer conhece as notas necessárias para compor a música. É uma piada. De mau gosto.

Façam as correlações entre o artigo de Fernando Schüler e os exemplos levantados das "ocupações". É adequada uma oficina de mapa astral em uma universidade? Copiar do quadro é algo ruim? Escutar a leitura de um livro é tão enfadonho? Neoliberalismo é nefasto? O conservadorismo é pernicioso? Será que o modelo educacional é retrógrado? Ou há evidente doutrinação ideológica, que prega aos estudantes uma "revolução cultural" coletivista que implica tentativa de destruição de um sistema social? Tirem suas conclusões. Lendo e ouvindo. Buscando a instrução. Nesse caso, sem mapa astral; afinal, os problemas são de outra natureza.

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