ANO: 25 | Nº: 6209

Glauber Pereira

glauber.pereira@hotmail.com
Diretor Executivo do Jornal Minuano. Jornalista e coordenador do curso de Comunicação Social da Universidade da Região da Campanha - Jornalismo e publicidade e Propaganda. Tem mestrado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
07/04/2017 Glauber Pereira (Editorial)

Hospital universitário no rumo do bem

Poucas vezes, nos últimos anos, foi possível testemunhar uma cerimônia tão desejada e, ao mesmo tempo, tão emocionante. Assim foi o ato de inauguração promovido pela Prefeitura de Bagé para iniciar os trabalhos do tomógrafo do Hospital Universitário (HU) da Universidade da Região da Campanha (Urcamp). Como os cidadãos já sabem, o equipamento tão necessário à qualidade dos serviços de saúde havia sido adquirido com recursos da consulta popular, mas ficou encaixotado por mais de cinco anos, à revelia do clamor popular. E nisso reside uma série de coincidências que vieram a se descortinar positivamente. Principalmente em se tratando dos personagens desta história.

Comprado o equipamento, poucos se deram conta de que sua instalação dependia de infraestrutura que exigia tecnologia e materiais específicos para a sala de atendimento. O elevado custo para a construção desta estrutura foi um dos motivos pela demora de sua operação, agravado ainda pela situação economicamente frágil vivida pelo Hospital Universitário, então às voltas numa luta pela própria sobrevivência, uma vez que lançava mão de recursos próprios e da Fundação Attila Taborda para dar contraponto ao baixo valor dos contratos do SUS e constantes atrasos dos repasses oficiais para o setor.

Quando vereador, Divaldo Lara já havia apontado a necessidade do equipamento de tomografia e chegou a fotografá-lo dentro da caixa. Em seguida, reuniu-se com a reitora da Urcamp, Lia Maria Herzer Quintana, em uma época em que pouco podiam comprometer-se um com outro, senão na vontade de recuperar a potencialidade do hospital em crise e do serviço inoperante. De lá para cá, Lia enfrentou o desafio de suspender as atividades do hospital, o que estimulou uma mobilização social e entre autoridades que pouco operavam para a sua manutenção. Esta realidade mudou, houve esforços da Câmara de Bagé, Coordenadoria regional de Saúde, governo do Estado e um acordo renegociado permitiu ao HU retomar suas atividades em dezembro de 2016. Estas mesmas lideranças, com o amparo do agora prefeito de Bagé tornou possível construir um projeto de futuro para o hospital que se inicia com os serviços do tomógrafo inaugurado ontem, mas que deve se perpetuar em uma vontade amplamente manifesta pelo chefe do executivo municipal: “no meu governo hospital não fecha”.

Decisivos para esse grande final foram novas personagens, como os médicos que compõem a gestão administrativa do HU, Henrry Ritta e Rafael Ribeiro, e o administrador Romário de Almeida. Juntos, trabalharam em uma proposta de atuação que recebeu total apoio e interação do atual secretário da Saúde, Mário Mena Kalil.

Assim, o tomógrafo passa simbolizar um novo período de atuação para o Hospital Universitário e para a própria Urcamp. Afinal, uma instituição de Ensino Superior de quem nem se exige trabalhar no atendimento de saúde, comprovou que, apesar das críticas recebidas em momentos de coragem, fez o tempo trabalhar em seu favor e construiu um plano estável em benefício de toda a população de Bagé.

Deixe seu comentário abaixo

Outras edições

Carregando...