ANO: 24 | Nº: 6163

Fernando Risch

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Escritor
07/04/2017 Fernando Risch (Opinião)

Qual é o problema com as operadoras de telefonia no Brasil?

Resolvi trocar de operadora de celular. Minha conta na Vivo estava muito cara, um plano além das minhas capacidades e necessidades. Escolhi ir para a Oi, que anunciava um plano simples e com um preço simples, tudo que eu, um usuário simples, precisava. “Traga seu número pra Oi”. Levei. Avisaram-me que eu deveria quitar uma pendência na Vivo para que a portabilidade fosse feita e meu número migrasse para a outra operadora.

Paguei a conta atrasada e cancelei a linha da Vivo. Senti-me aliviado naquele dia por não precisar mais conversar com aquela voz masculina e automática de autoatendimento. “Se você quiser falar com um de nossos atendentes, tecle nove e eu te transfiro”. Fui à Oi, pedi meu plano, eles aceitaram a portabilidade, eu assinei um contrato e eles me deram um chip com um número provisório, com a promessa que em 4 dias eu estaria com o antigo funcionando.

Se nos últimos 20 dias, você, meu amigo, conhecido ou interessado em se comunicar comigo, tentou me ligar, não conseguiu. Eu ainda não tenho meu número. Fui à Oi algumas vezes. Esperei algumas vezes. Foram solícitos. Tive paciência, o que é raro. Na última vez, falaram que teriam que abrir um processo de não sei o quê para não sei o quê lá e prometeram que a Oi nacional me ligaria, em três tentativas, e eu deveria atender uma delas para completar a portabilidade. Não ligaram.

Voltei à operadora. Então me disseram que eu deveria falar com a Vivo, pois o problema estava no CPF cadastrado em minha linha antiga, que mostrava-se incompatível e que eles não poderiam fazer nada, como se eu, mero mortal do mundo, fosse obrigado a saber dos trâmites burocráticos que envolvem o seus trabalhos e sistemas. E quem precisa resolver tudo sou eu, tudo para eu estar apto a me encaixar dentro de uma promessa feita em uma propaganda simpática, que dizia que eu poderia ter meu número em outra operadora. Propaganda a qual, eu, trouxa do mundo moderno, acreditei e aceitei. Se eu não fizer, ninguém fará. Para eu assinar um contrato não houve barreira. Para eu pagar a conta, que provavelmente chegará nesta semana, creio que não encontrarei resistência. Mas ai de mim se não pagar.

Fui à Vivo. Foram-me solícitos. A atendente me explicou o problema. Disse que para resolver eu teria que ligar para um dos números de autoatendimento deles e pedir para falar com um representante, explicando que eu não sabia que o CPF que constava na minha conta era de outra pessoa, que fez minha linha há mais de 15 anos e que esse fato atrapalhava o processo de portabilidade. Só faltou me dizer que eu precisava pedir desculpas e protocolar uma carta admitindo ser otário. Aceitei. Infelizmente tive que enfrentar aquela voz masculina e automática mais uma vez. “Obrigado por ligar para a Vivo”. Apertei qualquer coisa, até ele me dar a opção de falar com um atendente. Meu celular registrava 10% de bateria.

“Senhor, para resolver esse problema, o senhor precisa ir a uma loja Vivo”, disse-me uma mulher. Que cabo de guerra interessante: um empurra para lá, outro devolve para cá. Contei-lhe que a loja Vivo me mandou ligar. Então, ela resolveu transferir minha ligação para outro setor, que, segundo ela, resolveria meu problema. Foram 12 minutos de um jazz irritante de espera, estou quase certo que eles fazem por gosto. Se tivessem posto Shine On You Crazy Diamond do Pink Floyd, pelo menos eu aproveitaria. “Meu nome é Luan, em que posso lhe ajudar?”. Implorei-lhe por ajuda, fui sincero. “Por favor, Luan, minha bateria está acabando, resolva meu problema”, disse em desespero. “Senhor, este problema o senhor tem que resolver em uma loja Vivo. Há mais alguma coisa que eu possa estar ajudando o senhor, senhor Fernando?”.

Não, Luan. Obrigado. Se alguém quiser falar comigo, me envie um email, porque nem eu sei meu número provisório, que eu suspeito que tornar-se-á meu oficial, porque ninguém no mundo da telefonia é capaz de me ajudar. 

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