ANO: 25 | Nº: 6378
10/04/2017 Fogo cruzado

“A CPI vai mostrar onde está a roubalheira na previdência”, afirma Paim

Foto: Antônio Rocha

Petista sugere retirada da matéria que tramita no Congresso
Petista sugere retirada da matéria que tramita no Congresso

O senador Paulo Paim, do PT, está convencido de que a solução para a Previdência Social passa pela gestão. Durante ato realizado em Bagé, pelo Sindicato dos Técnicos Industriais de Nível Médio do Rio Grande do Sul (Sintec-RS), no sábado, na Câmara de Vereadores, o parlamentar criticou a proposta de reforma apresentada pelo governo de Michel Temer, do PMDB, ao Congresso Nacional, reiterando a necessidade de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para estabelecer uma nova discussão sobre o tema. “A CPI vai mostrar onde está a roubalheira, a sonegação e a corrupção. Vai mostrar onde estão os R$ 500 bilhões que podiam cobrar e não estão cobrando”, pontua o petista.

Para Paim, a proposta de reforma em análise, no Congresso, é 'imoral'. “É ainda mais grave por que todo dia falam em mudanças. Primeiro, disseram que era imexível. Depois, disseram que municípios e Estados iriam decidir sobre servidores municipais e estaduais. Depois, mudaram de novo, dizendo que se em seis meses não fizerem, vai entrar na regra nacional. É um governo atrapalhado, confuso e irresponsável, que está criando um clima de terror no Brasil, ao querer que as pessoas se aposentem só depois de 49 anos de contribuição. A ideia dos 65 anos é mentira, também. Esta idade é colocada como mínima”, critica.

Ao defender a retirada do projeto, o senador reforça a ideia de que a fiscalização pode alterar a realidade da Previdência Social. “É preciso aumentar o combate à sonegação, à fraude e à corrupção. Não dá para continuar roubando e querendo que a população pague mais; que pague até morrer. Sugerimos uma gestão quadripartite, entre empregado, empregador, Estado e aposentados, os maiores interessados. É tudo uma questão de gestão e administração. Já tem uma fórmula correta, a 85/95, em que a mulher se aposenta com 30 anos de contribuição e o homem com 35 anos de contribuição e 60 de idade. É só cuidar disso e deixar de roubar”, pontua.

Durante a agenda em Bagé, o petista também criticou o projeto de reforma trabalhista, sustentando que 'o governo quer aprovar a jornada intermitente'. “Isso vai fazer com que o trabalho seja só por hora. Ninguém mais vai ter direito a 13º salário, férias e horas-extras; tudo vai desaparecer. É a volta da escravidão. Brasília está tão podre, com seus poderes, que se alguém apresentar uma proposta para revogar a Lei Áurea, é capaz de ser aprovada. Serei contra, mas são capazes de aprovar”, ironiza.

 

Empresas públicas

Paim recebeu reivindicações de representações sindicais, ligadas às empresas do setor de energia elétrica, que podem ser privatizadas (nos casos da CRM e da CEEE). O senador, que recebeu um apelo dos eletricitários, pela articulação, junto ao governo federal, da manutenção das unidades da Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE), adiantou que a discussão será ampliada no Congresso. “Temos dois problemas na Metade Sul. O primeiro é do Polo Naval de Rio Grande, que está sendo destruído. O segundo é do complexo termelétrico de Candiota. Estamos preparando, em Brasília, audiências públicas, para chamar as partes envolvidas e fazer um debate no sentido de não permitir que destruam o mundo do trabalho nestas regiões”, destaca.

 

Críticas aos governos

O deputado estadual Luiz Fernando Mainardi, do PT, falou em defesa do Banrisul, da Companhia Riograndense de Mineração (CRM), Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) e Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul (Sulgás), que poderão ser privatizadas pelo governo de José Ivo Sartori, do PMDB. “A CEEE é lucrativa e os chineses estão de olho”, destacou.

O Sintec-RS foi representado por seu sócio, o ex-vereador bajeense Caio Ferreira. Ele disse que os atuais governos federal e estadual não estão respeitando o concurso público. O prefeito de Candiota, Adriano Castro dos Santos, do PT, também criticou as propostas de Temer. “O governo federal tem que respeitar os trabalhadores e as trabalhadoras desse país”, disse.

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