ANO: 25 | Nº: 6384
18/04/2017 Cidade

Do mar verde do pampa à maré salgada do mundo

Foto: Arquivo pessoal

Alves Branco e Leindecker, além de Dutra, foram companheiros durante travessia até o mar bravio do sul
Alves Branco e Leindecker, além de Dutra, foram companheiros durante travessia até o mar bravio do sul

Há mais de três anos, o publicitário bajeense Adriano Plotzki Dutra resolveu levar às redes uma antiga paixão, a navegação. E a experiência pode ser vista nos vídeos do canal #Sal, que possui mais de 12 mil inscritos.

Diretor de filmes publicitários, ele conta que a ideia do #Sal surgiu como uma busca de um trabalho autoral. Durante um dia de lazer na Ilha Grande, no Rio de Janeiro, foi confrontado por uma nova realidade. "Enquanto eu nadava, vi uma família fazendo churrasco em um veleiro. Pensei: 'caraca, quero fazer um churrasco aqui também' e fui atrás para ver como se pilotava uma churrasqueira. E descobri que a vela era uma coisa fantástica, era acessível para muita gente", comenta.

Maravilhado pelo universo da vela, comprou seu próprio barco para os momentos de lazer e descanso do trabalho. Mas a curiosidade sobre a vida em alto mar o instigou a ir em frente e buscar maior contato com as pessoas que fazem essa opção. "Comecei a entrevistar pessoas que moram no mar e pensei em fazer um documentário, mas depois vi que um canal no YouTube seria melhor. Hoje é o maior canal sobre náutica do Brasil", conta.

Diversas aventuras viveu em alto mar, todas relatadas através das lentes e da cuidadosa edição de imagens, que tornam o programa leve e descontraído, atraindo até mesmo a atenção de quem nunca pensou sobre a vida a bordo de um barco. E a última aventura foi um das maiores, que viveu em companhia de amigos.

Também bajeense, Marsal Alves Branco conheceu Dutra na juventude, quando os dois ainda moravam na Rainha da Fronteira. Publicitário e artista plástico, já havia navegado com Dutra anteriormente. Quando decidiu comprar um barco, contou com a ajuda do amigo para levar a casa flutuante para Porto Alegre, partindo de Paraty, no Rio de Janeiro.

Além deles, também acompanhou a viagem o músico e compositor Duca Leindecker. Fã da vida náutica, Leindecker foi convidado pelo aventureiro bajeense para participar da travessia. "Sempre gostei muito das músicas do Cidadão Quem e mais recentemente do Pouca Vogal. Aí um dia eu vi que o Duca estava inscrito no canal e começamos a conversar, ficamos amigos. Então resolvi convidar ele para essa aventura, porque ele já tinha experiência, já velejava, não era marinheiro de primeira viagem", brinca.

Dutra conta que de Paraty até Ilha Bela, em São Paulo, um dia se passou. Depois, mais dois dias até chegar em Santa Catarina, onde pararam e aguardaram melhores condições climáticas. A entrada no Rio Grande do Sul foi por Rio Grande. "Como todo bajeense, muito já fui para o Cassino, passei férias lá, mas nunca tinha entrado pelo mar, não conhecia muita coisa depois da arrebentação. Praticamente não tinha velejado no meu estado", comenta.

Segundo ele, profundamente envolvido em aventuras a bordo de veleiros, o mar do Estado é o mais perigoso para navegação do País. "É de uma grandiosidade surpreendente. É um mar que cobra muito, de longe o mais perigoso, mas nos presentou com um espetáculo na chegada, com golfinhos e baleias", recorda.

O bajeense destaca que apesar da visão mais elitista que as pessoas ainda têm sobre veleiros, a realidade é muito diferente. "É uma vida super simples, não tem marinheiro vestido de branco e champanhe. Morar em um barco é mais barato que ter uma casa na praia. Dentro do universo da vela, existem pessoas com barcos caríssimos e outros mais simples e todos se dão super bem. Existem menos barreiras sociais", conta.
O amigo, Branco, decidiu comprar o barco para utilizar como moradia em Porto Alegre, onde mora e trabalha como professor da Feevale. E a aventura deu início a uma nova jornada à Galícia, a graphic novel lançada por ele no ano passado. Após sintetizar sua experiência no caminho de Santiago de Compostela nos quadrinhos de fantasia, o segundo volume da série deve se chamar "A casa sobre o mar" e deve contar com influências da experiência do autor na vida a bordo do barco.

Quem tiver interesse em conhecer um pouco mais sobre o trabalho de Dutra e da aventura com os amigos encontra os vídeos no canal #Sal, no YouTube. A página do programa no Facebook também é atualizada constantemente com os links dos vídeos.

 

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