ANO: 25 | Nº: 6310
19/04/2017 Cidade

Ambulantes criticam medida que vai inviabilizar atuação na avenida Sete de Setembro

Foto: Tiago Rolim de Moura

Município conta com 40 vendedores
Município conta com 40 vendedores

O projeto 'Travessa Vanda Mourão', que prevê a construção de um espaço de 30 a 35 bancas, localizado no Calçadão, atrás do Obino Hotel, não agrada os vendedores ambulantes de Bagé que terão que sair da avenida Sete de Setembro. A estrutura foi projetada pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação.

O titular da pasta, Bayard Paschoa Pereira, conta que há 13 anos luta pela regularização dos vendedores ambulantes em Bagé. "O problema é que os trabalhadores não circulam como deveriam fazer. Eles instalaram mesas nas calçadas e atrapalham as pessoas que andam por ali e também os empresários, pois os produtos ficam expostos na frente das lojas", explica.

Pereira informa que, hoje, o município tem cerca de 40 vendedores ambulantes. Segundo ele, a prefeitura está realizando uma avaliação para ver quantos realmente precisam do apoio e não têm condições financeiras. "Muitos ambulantes estão irregulares, ou seja, além de trabalharem nas calçadas, possuem bancas no Centro de Integração Comercial (CIC) ou lojas. Só serão contemplados com o projeto aqueles que realmente necessitarem", enfatiza.

Atualmente, o CIC da avenida Marechal Floriano conta com 92 bancas e o da rua Flores da Cunha com 25. De acordo com o secretário, a taxa que os trabalhadores pagam para o município é de R$ 5 por mês para aqueles que são considerados microempreendedores.


Mudança drástica

O projeto "Travessa Vanda Mourão", com responsabilidade técnica dos arquitetos Guilherme Horvath e Joelma Lemos Silveira, irá conter de 30 a 35 tendas de policarbonato com tamanho de 1,30 metros por dois metros. As estruturas ficarão voltadas para o lado leste, ou seja, de frente para as lojas. Além disso, terá um pórtico de entrada.

De acordo com Pereira, o novo local não vai atrapalhar os comerciantes que trabalham nas lojas próximas, nem obstruir a passagem das pessoas, pois as tendas ficarão no meio da via. "Pelo contrário, o novo camelô irá movimentar o comércio no lugar, e, ao mesmo tempo, proporcionará um espaço adequado para os vendedores. A estrutura só trará benefícios para a área e não causará nenhum tipo de prejuízo", frisa.

O secretário informa que será cobrado um aluguel de cada tenda para que sejam feitas manutenções nas estruturas, além de água, luz e um ronda. O valor ainda não foi definido.

O início da obra será após um processo licitatório que poderá demorar de 100 a 120 dias. Durante uma reunião com Pereira, com o vereador Ramão Bogado (Bocão), do PTB, e com alguns vendedores ambulantes, na tarde de ontem, ficou definido que até a conclusão da obra, os trabalhadores utilizarão, temporariamente, o interior da Praça Silveira Martins para desenvolverem suas atividades.

Conforme Pereira, a partir da próxima semana, a fiscalização não permitirá a colocação de mesas sobre as calçadas e os expositores terão que ser verticais. "Faremos uma fiscalização intensiva para que o problema seja solucionado. Além disso, uma ideia futura é inspecionar se os produtos que estão sendo comercializados nas bancas tem procedência", frisa.


Solução para o CIC da Floriano

O CIC da Marechal Floriano é propriedade do Estado e a Prefeitura de Bagé está tentando, há algum tempo, que o espaço seja cedido para o município, para ampliar as bancas.

Segundo o secretário, o principal objetivo é encaminhar os ambulantes para o local assim que o prédio for cedido. "As tendas no Calçadão não serão permanentes. Assim que resolvermos a situação no CIC, os trabalhadores terão um lugar adequado para comercializar seus produtos e as tendas poderão ser ocupadas por artesãos ou pessoas que vendam doces", adianta. Outra solução é retirar as bancas e aproveitar em outros lugares, futuramente, pois elas não são fixas.

Prejuízo nas vendas

Para os vendedores ambulantes, a transferência das bancas irá prejudicar na comercialização dos produtos, pois o fluxo de pessoas está na avenida Sete de Setembro.

O ambulante Paulo Sérgio Medeiros trabalha há nove anos no local e afirma que a medida vai atrapalhar as vendas. "Aqui é o foco. Acho que no Calçadão não passa muita gente, por isso teremos prejuízo. E sobre as grades verticais, é impossível para mim, pois vendo produtos como térmicas e não tem como pendurar", explica.

A dona de uma banca localizada na avenida Sete de Setembro, Andreia Cougo, fala que não está feliz com a medida da prefeitura. "Vai ser bem pior para nós. Aqui vendemos bem, pois muitas pessoas passam por aqui, já no Calçadão não seremos nem vistos", afirma.

Uma das representantes dos vendedores em Bagé, Ana Paula Oliveira, diz que a medida é injusta para os trabalhadores. "Estamos aqui trabalhando e não roubando. Eles não têm o direito de nos tirar daqui como se fossemos marginais. Entendo que o projeto será bom para nós, mas sou contra nos colocarem na praça até ficarem prontas as novas bancas", ressalta.

 

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