ANO: 25 | Nº: 6400
19/04/2017 Caderno Bio Urcamp 2017

Biourcamp atuando no desenvolvimento de novas economias sustentáveis

Foto: Renan Silveira/Especial JM

Ricardo Dourado Furtado abordou sobre olivicultura na região
Ricardo Dourado Furtado abordou sobre olivicultura na região

Como já acontece há sete edições, o BioUrcamp expõe temas relacionados ao meio ambiente e de interesse regional. As atividades deste ano ocorreram no último final de semana, no campus rural da Universidade, e teve como destaque a palestra “Olivicultura e Sustentabilidade”, do Dr. Ricardo Dourado Furtado.
O Brasil é um dos maiores consumidores dos produtos provenientes da oliveira. No caso do azeite de oliva, a importação brasileira é a segunda maior do planeta. Somente esses números já justificariam investimentos em um mercado tão promissor. Cabe ressaltar ainda que 99% do consumo total são importados, majoritariamente da Europa. O mercado interno, portanto, desponta com um gigantesco leque de oportunidades.
Furtado ressalta que embora a demanda nacional movimente cerca de um bilhão de reais, nossa produção ainda é irrisória. Para se ter uma ideia, atualmente, as oliveiras produzidas no Rio Grande do Sul somam apenas dois mil hectares de plantações; quando no caso da soja, são mais de cinco milhões de hectares. Mas ainda em processo de consolidação, a atividade já pode ser vista como ferramenta para retomar significativos avanços econômicos à Metade Sul. Atualmente, 90% do cultivo estadual estão nessa região.
“As expectativas são as melhores possíveis. Isso porque, dentro da produção primária, a olivicultura é uma das mais rentáveis. Há também a necessidade de industrializar os processos de exportação, podendo gerar muitos empregos”, acredita Furtado.
Segundo o palestrante, que também é engenheiro agrônomo, Auditor-Fiscal Federal Agropecuário e chefe da DPDAG (Divisão de Política, Produção e Desenvolvimento Agropecuário) da Superintendência Federal da Agricultura no RS, a importação eleva o custo para o país, além de gerar uma perda na qualidade do produto. “Ao contrário do vinho, que melhora gradativamente, o azeite perde suas propriedades com o tempo. Portanto, a importação gera esses e outros transtornos”, enfatiza.

Estado com condições favoráveis
As plantas encontram dificuldades de adaptação ao clima brasileiro. Contudo, no bioma pampa, as condições foram consideradas propícias ao cultivo. Isso porque a tendência natural da planta é prosperar em climas mediterrâneos, onde há estações muito bem definidas. O nosso frio moderado, semelhante aos países europeus que dominam a produção mundial, é fator determinante. No entanto, a umidade ainda é um diferencial indesejado por aqui.
A oliveira possui cultivo a longo prazo e safra instável, requerendo paciência e informação por parte dos produtores. A planta leva, em média, 10 anos para atingir o auge de sua produtividade; e devido ao clima, é comum as quantidades variarem a cada colheita. Por isso, o engenheiro defende a criação de um curso superior de olivicultura, para dar atenção especial a essas e outras especificidades. “É um curso ainda não presente no Brasil, mas que existe e seria um diferencial enorme para consolidar a prática na região”, finaliza.
E como esse novo modelo econômico está começando, os estudos e atividades também. Já está prevista uma próxima visita do Dr. Ricardo Dourado a Bagé. Ao que tudo indica, para apresentar uma degustação de azeites de oliva durante o Congrega Urcamp, em outubro.

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