ANO: 25 | Nº: 6353

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
29/04/2017 José Artur Maruri (Opinião)

A paz e a espada

         O Espiritismo, uma doutrina eminentemente progressista, está sempre atento aos movimentos sociais que se estabelecem. Não poderia ser diferente com relação à chamada “greve geral” que foi convocada para o dia de ontem, 28, que, entre outras coisas, protesta contra a reforma trabalhista e da Previdência.

         Segundo o historiador da Unicamp, Cláudio Batalha, em entrevista concedida ao portal BBC Brasil, “em junho de 1917, décadas antes da consolidação das leis trabalhistas no Brasil, cerca de 400 operários da fábrica têxtil, na Mooca, em São Paulo, paralisaram suas atividades”. Teria sido a primeira greve geral no Brasil.

         Relata o historiador: "Não é uma greve que já tivesse bandeiras gerais. Ela começa com questões específicas dos setores que vão aderindo ao movimento grevista, alguns por solidariedade. Depois é que a pauta passou a incluir desde reivindicações relacionadas ao trabalho até reivindicações de cunho político - libertação dos presos do movimento, por exemplo”.

         Por outro lado, um dos maiores tratados, sobre temas como amor e paz, que a Humanidade já presenciou veio através de Jesus e foi intitulado “O Sermão do Monte”.

         No dizer de Haroldo Dutra Dias, prefaciando a obra “O Código do Monte”, de autoria de Sérgio Luís da Silva Lopes, “O Sermão do Monte representa vigorosa declaração de princípios com vistas à regeneração de todo o mundo. Código ético-moral de alcance universal, foi enunciado nas margens do Tiberíades, mas sobretudo exemplificado por Jesus, em todos os lances da sua vida, dos momentos mais singelos aos mais desafiadores”.

         No “Sermão do Monte” Jesus referiu: “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus”.

         No entanto, como nos reportamos já no início, diante da efervescência da sociedade atual, Sérgio Luís da Silva Lopes, médico espírita pelotense, indaga se será a paz uma conquista tranquila? Será possível alcançá-la sem conflitos?

         “Não penseis que vim trazer a paz sobre a Terra. Não vim trazer a paz, mas a espada” (Mateus. 10:34). Parece uma flagrante contradição na lição do Mestre Jesus. Ele fala dos pacificadores e depois refere que veio trazer a espada.

         Segundo o médico espírita “a espada representa o ‘instrumento de corte’ e ao mesmo tempo de luta, de batalha. Quantas vezes é necessário ‘cortar’ em nossas vidas, desde os vícios às falsas amizades, os hábitos perniciosos, os ambientes nocivos e principalmente sentimentos nossos que nos impedem a evolução, como a inveja, o rancor, a maledicência e o ressentimento, entre outros”.

         De fato, Ele nos dá a espada. Nós é que conquistamos a paz. Por outro lado, a batalha não é externa, é interna. Não há outros inimigos, apenas um. Trata-se de uma verdadeira batalha interior para vencer a si mesmo.

         “No caminho da transformação faz-se necessário derrotar a pessoa antiga, arraigada à própria acomodação. É uma batalha porque isso não acontece tranquilamente, é um processo que exige renúncias e sacrifícios. Ao mesmo tempo, o ensinamento de Jesus é claro, Ele nos diz que tudo do que precisamos está dentro de nós”. – Sérgio Luís da Silva Lopes.

(Referências: Portal BBC Brasil. http://www.bbc.com/portuguese/brasil-39740614. Acesso em 28 de abril de 2017. Sérgio Luis da Silva Lopes. O Código do Monte. As Virtudes do Sermão da Montanha. FEB Editora e FERGS. p. 9 e 152-153)

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