ANO: 24 | Nº: 6083
29/04/2017 Segurança

Judiciário determina suspensão do credenciamento das lotéricas de Mário Kucera

Foto: Tiago Rolim de Moura

Operação Deu Zebra, no edifício Avenida, apreendeu diversos objetos
Operação Deu Zebra, no edifício Avenida, apreendeu diversos objetos

A Vara Criminal da comarca de Santana do Livramento acatou solicitação da delegada Ana Tarouco, da Polícia Civil, determinando a suspensão do credenciamento das lotéricas que pertencem ao advogado Mário Kucera, de Bagé, com a Caixa Econômica Federal e o Banrisul. O processo corre em segredo de Justiça, por determinação do juiz titular, Gildo Meneghello Júnior, e apenas as partes e procuradores têm acesso aos autos.

Em nota encaminhada pela assessoria de imprensa, a Caixa informa ‘que não irá se pronunciar acerca de qualquer demanda judicial envolvendo unidades lotéricas com sede no município Bagé, até que tenham transitado em julgado’. A instituição financeira ressalta ‘que clientes que fizeram ou fazem uso de serviços bancários por meio de lotéricas não serão prejudicados’. Em relação à Operação Deu Zebra, que resultou na prisão de Kucera, a Caixa informou que está colaborando com as investigações.

Mário Kucera é apontado, pela Polícia Civil, como “barão do jogo do bicho” em toda região da Campanha e fronteira Oeste. A delegada enfatiza que o acusado lavaria o dinheiro ilícito dos jogos em duas agências lotéricas da Caixa e um ponto de pagamento de contas do Banrisul, as três localizadas em Bagé.

As investigações também apontaram que ele usaria ‘supostos laranjas’ como proprietários dos três estabelecimentos, e que em ligações, grampeadas pela polícia, ele admitiu ser dono dos locais. Ana Tarouco destaca que fez o pedido de suspensão do credenciamento, pois enquanto deixavam de fazer declaração de imposto de renda ou registravam pequenos ganhos, as lotéricas estavam movimentando milhões. Esta circulação de dinheiro no sistema bancário foi descoberta a partir de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Com a suspensão, os estabelecimentos não poderão ser mais operados por tempo indeterminado, ao menos até o fim do processo.

 

Defesa

Na terça-feira, Kucera foi um dos alvos principais da operação Deu Zebra, desencadeada em 14 municípios do Estado. Desde então, ele está preso em Santana do Livramento, acusado de exploração de jogos de azar, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A delegada tem prazo para entregar o inquérito ao poder judiciário. Os advogados Décio Lahorgue e José Carlos Teixeira Giorgis, entraram, na quarta-feira, com pedido, no poder Judiciário, de habeas corpus (ação judicial com o objetivo de proteger o direito de liberdade de locomoção ao lesado ou ameaçado por ato abusivo de autoridade) para a soltura.

O habeas corpus deve ser julgado por um colegiado (que é um conjunto de três desembargadores), na 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado, na quarta ou quinta-feira da próxima semana. Lahorgue afirma que seu cliente não é criminoso, e sim um contraventor. "Ele assume que é bicheiro, mas isto é uma contravenção penal, e não um crime", argumenta.

O advogado também criticou a investigação. "Ficaram quase um ano e meio e não checaram o registro de imóveis para saber que os cinemas e imóveis que eles dizem que meu cliente comprou com dinheiro do jogo, são, em alguns casos, de antes do nascimento de Mário Kucera, este foi o embasamento no habeas corpus”, informou o profissional.

As outras denúncias de que Kucera utilizava lotéricas da Caixa Econômica Federal para lavar dinheiro, o advogado reitera que são falsas. "Isso é besteira, não existe nada disso", garantiu. 

Mais imagens

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...