ANO: 26 | Nº: 6590
29/04/2017 Cidade

Protestos trancam rodovias e tomam conta das ruas centrais de Bagé

Foto: Tiago Rolim de Moura

Trabalhadores entoavam palavras de ordem
Trabalhadores entoavam palavras de ordem

Em repúdio às reformas Trabalhista e da Previdência, centrais sindicais realizaram na sexta-feira, 28, protestos em todo o País. Na região, houve pontos de bloqueio na BR-293, nos trevos de Candiota e de Hulha Negra. Em Bagé, de acordo com projeção da secretaria municipal de Segurança e Mobilidade Urbana, cerca de cinco mil pessoas participaram do ato que percorreu a avenida Sete de Setembro.

No trevo de Candiota, dezenas de trabalhadores bloquearam a BR-293. Barreiras, formadas por pneus em chamas, foram instaladas por volta das 4h. No local, se formou uma grande fila de caminhões pelos dois lados da rodovia, chegando a 10 quilômetros. A prefeitura liberou os servidores para a manifestação. A entrada para os trabalhadores da obra da UTE Pampa Sul foi inviabilizado. Em alguns momentos da manifestação, houve tensão entre os trabalhadores e a Polícia Rodoviária Federal (PRF), mas tudo foi contornado pelos organizadores.

 

Intervenção da Brigada Militar

O trânsito, na BR-293, que liga Bagé a Pelotas, foi liberado no início da tarde. Por volta de 12h30, cinco viaturas do Pelotão de Operações Especiais (POE) da Brigada Militar chegaram ao local do bloqueio. Houve negociação entre representantes dos sindicatos e o comandante do 6º Regimento de Polícia Montada (6º RPMon), tenente-coronel Sérgio Alex Laydner.

O presidente do Sindicato dos Mineiros de Candiota, Wagner Pinto, foi um dos encarregados de negociar com a Brigada Militar. Inicialmente, o movimento estava previsto para encerrar às 12h, mas os manifestantes decidiram por permanecer com a rodovia bloqueada. Na negociação com o tenente-coronel, ficou definido o encerramento para as 14h e de forma pacífica. Pinto considerou a mobilização positiva e disse que foi uma das maiores da região sul.

Participaram da manifestação representações sindicais dos mineiros, metalúrgicos, eletricitários e técnicos industriais. O ato contou com a adesão do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bagé e região. O Sindicato dos Comerciários de Bagé e dos municipários de Candiota também participaram.

O prefeito do município, Adriano Castro dos Santos, do PT, esteve durante todo o tempo na rodovia. Ele enfatizou que o ato reuniu a sociedade organizada de Candiota e nenhum setor funcionou. Para o representante do Sindicato dos Eletricitários do Rio Grande do Sul (Senergisul), Darlan Oliveira, o ato é a reação ao início de um movimento que irá prejudicar futuras gerações.

 

Mobilização na Sete de Setembro

O movimento, em Bagé, iniciou antes das 9h. O ato foi organizado por integrantes do 17º Núcleo do Cpers/Sindicato, Sindicato dos Municipários de Bagé (Simba), Sindicato dos Servidores Técnicos Administrativos da Universidade Federal do Pampa (Sindipampa), Sindicato dos Trabalhadores nos Serviços de Água e Esgoto (Sindiágua) e Sindicato dos Comerciários (Sindicom) e também contou com o apoio dos bancários, Polícia Civil, servidores dos Correios e estudantes.

Os manifestantes permaneceram na Praça de Esportes até as 10h30, e, após, caminharam pela avenida Sete de Setembro, a principal da cidade, com faixas, cartazes e entoando palavras de ordem. A caminhada encerrou na Praça Silveira Martins. Segundo estimativa da Secretaria Municipal de Segurança e Mobilidade de Bagé, cerca de cinco mil pessoas participaram do ato. Conforme o presidente do Sindicato dos Bancários, Nilton Dias, com a adesão da categoria, os estabelecimentos não funcionaram.  


Polícia Civil

Pela manhã, 50% do efetivo da Polícia Civil de Bagé participou do ato, denominado de Greve Geral. De acordo com o diretor da Ugeirm/Sindicato, comissário Luiz Henrique Lamadril, o funcionamento das delegacias está em operação padrão, atendendo apenas casos de urgência.

 

Escolas 
Segundo informações da Secretaria Municipal de Educação e Formação Profissional, cerca de 70% das 64 escolas da rede paralisaram. As aulas serão recuperadas. Na rede estadual, conforme estimativa do 17º Núcleo do Cpers/Sindicato, houve a adesão de 90%. Não existem estimativas oficiais.

 

Transporte coletivo

As duas empresas que operam o sistema de transporte coletivo bajeense tiveram seus portões bloqueados até as 8h30min. Somente após acordo com representantes de sindicatos locais, foi definido que alguns veículos seriam liberados. Os ônibus voltaram a circular normalmente na parte da tarde.


Anversa retoma atividades após paralisação da greve geral
 

A Anversa Transportes Coletivo confirmou, por meio de nota, que um bloqueio no portão da empresa impedindo que os motoristas saíssem com os veículos. 'A ação foi realizada por representantes de movimentos sindicais em razão da greve geral em todo o país', pontua. No comunicado oficial, a gerente administrativa, Maria da Graça Anversa Vargas, informou, ainda, que durante a manhã aconteceu uma reunião entre os gestores das empresas Anversa e Stadtbus, funcionários, bases sindicais e o chefe de gabinete da secretaria de segurança e mobilidade urbana, Luis Diego de Oliveira. Ela relatou que a proposta foi para que a frota voltasse a circular gradativamente, sendo: 30% dos veículos às 10h; 30% às 12h; e o restante às 14h. "Conseguimos entrar num acordo para que o serviço fosse retomado de forma integral a partir das 11h30min, com o propósito de que todas as linhas estivessem à disposição da comunidade no horário do almoço", disse. Maria da Graça falou que não houve depredações nos veículos e o serviço foi normalizado com tranquilidade. 






Servidores da Justiça
Por volta das 14h, trabalhadores do Judiciário realizaram uma manifestação em frente o prédio do Fórum.

 

Marfrig

Cerca de 400 trabalhadores do frigorífico do grupo Marfrig participaram, na madrugada do dia 28, de uma assembleia na porta da fábrica, em Bagé. A mobilização integrou a greve geral, convocada pelas centrais sindicais nacionais, contra as reformas Trabalhista e Previdenciária. 

Os trabalhadores do Marfrig/Bagé, que estão em campanha salarial, ficaram 10h30 esperando alguma definição da empresa. Depois, liderados pelo sindicato, saíram em marcha pelo bairro Industrial e percorreram a avenida Visconde de Ribeiro Magalhães, carregando faixas e cartazes contra as reformas. 

Muitos acompanharam a marcha de carro ou de motocicleta, promovendo um buzinaço que despertou atenção da população. Os trabalhadores se dirigiram até a Praça Silveira Martins para encontrar representantes de diferentes categorias, que realizaram o ato público contra as reformas.

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