ANO: 26 | Nº: 6544
04/05/2017 Editorial

Uma questão de estratégia

Para não comprometer a eficiência do sistema interligado nacional, o Brasil está importando energia elétrica do Uruguai. O país vizinho, em verdade, a exemplo da Argentina, apenas comercializa seu excedente. A organização do setor, em solo uruguaio, avança a passos largos no sentido de uma matriz limpa, focada em modais renováveis. O parque eólico Artilleros, construído pelos dois países, em uma parceria entre as empresas Eletrobras e UTE, ilustra muito bem este novo ambiente de cooperação.

Com capacidade para gerar até 65,1 megawatts (MW), a planta de Artilleros integra a estratégia de internacionalização da Eletrobras, desenvolvida para melhorar a competitividade e a geração de valor para a empresa. Localizado em Tarariras, departamento de Colônia, a cerca de 170 quilômetros de Montevidéu, o parque é o primeiro empreendimento da Eletrobras a gerar energia no exterior. O início das operações também coloca a região em posição de destaque.

Em nível local, aliás, o projeto viabilizou a criação da Reserva Biológica Municipal Biopampa, em Candiota, que recebeu recursos a título de compensação ambiental. Com a operação das linhas de transmissão, os órgãos de fiscalização devem dar continuidade ao monitoramento que vinha sendo executado durante a instalação do sistema, nos municípios de Candiota, Hulha Negra e Aceguá. Cabe salientar que o fluxo da energia é conjuntural. O foco, para o futuro, é a venda, não a compra.

Quando foi construída, a rede previa o envio, para o Uruguai, da energia produzida nas usinas termelétricas de Candiota. A diferença de frequência entre os dois sistemas foi equacionada por uma subestação conversora, construída em Melo. Para concretizar os planos originais, portanto, o governo precisa rever sua posição sobre o parque gerador regional. O carvão não representa a única alternativa. O desenvolvimento do modal eólico, com potencial reconhecido, precisa integrar a estratégia, sob pena de seguirmos apenas comprando energia.

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