ANO: 25 | Nº: 6399

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
06/05/2017 Airton Gusmão (Opinião)

A dimensão missionária da vocação cristã

"(...) A alegria do Evangelho, que enche a vida da comunidade dos discípulos, é uma alegria missionária" (papa Francisco, A alegria do Evangelho, 21).

Neste IV Domingo da Páscoa (7 de maio), celebramos o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, onde o papa sempre nos faz um convite para refletirmos sobre algum elemento essencial da nossa vocação cristã. Na mensagem deste ano, intitulada "Impelidos pelo Espírito para a Missão", o papa Francisco recorda que a dimensão missionária situa-se no "âmago da própria fé".

De fato, a fé que nós recebemos pelo batismo é um dom de Deus que preenche toda a nossa existência, e, assim, impulsionados pela ação do Espírito Santo, somos chamados a ser alegres mensageiros desta Boa Nova ao mundo. Em várias passagens do Evangelho, Jesus ressalta que a relação com Ele implica um envio ao mundo para anunciar o Evangelho do Reino da vida: "Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos (...)" (Mt 28,19); ou seja, se somos discípulos pela alegria de termos encontrado o Senhor, somos também missionários pelo desejo de que esta alegria chegue a todos os homens e mulheres feridos pelas adversidades da vida. A dimensão missionária não deve ser um programa ou projeto separado na vida dos cristãos – quando tiver tempo eu anuncio –, mas parte integrante da sua vocação de tornar visível o amor misericordioso de Deus. Um discipulado em missão é o mandato do Senhor, porque a fé é tanto mais viva quanto mais é partilhada, transmitida.

Na mensagem, o papa Francisco ainda ressalta que, nesta tarefa de testemunhar a Alegria do Evangelho, o cristão não está sozinho, mas o Senhor caminha ao seu lado dando-lhe força e ânimo. Foi exatamente o que refletimos no domingo passado com a passagem dos discípulos de Emaús, isto é, Jesus que toma a iniciativa de caminhar com os discípulos e transforma o seu desânimo pelo escândalo da cruz, em vida nova na certeza da Ressurreição. Muitas vezes, pelas diversas adversidades e frustrações, somos tentados a construir muros em relação às pessoas ou em relação a situações que não sabemos resolver. Nestes momentos, precisamos ter presente que Jesus sempre buscou o caminho do diálogo, do serviço, da escuta, do silêncio e, assim, a graça de Deus sempre encontrou uma brecha para transformar a situação por mais difícil que fosse. Na missão a nós confiada, devemos aprender do Senhor a nunca julgar, mas a percorrer o caminho, a estrada dos nossos irmãos e irmãs na fé, muitas vezes abatidos, humilhados, desanimados, dando-lhes a possibilidade de acolher a graça que vem de Deus.

Por fim, o papa Francisco recorda que esta semente, que é a graça de Deus, cresce na vida das pessoas não pelo poder ou pelo sucesso, mas pelo serviço humilde e silencioso de tantos cristãos que entenderam que é o Senhor quem faz germinar a semente do Reino de Deus: "Ele supera as nossas expectativas e surpreende-nos com a sua generosidade, fazendo germinar os frutos do nosso trabalho para além dos cálculos da eficiência humana" (papa Francisco). Que neste Domingo do Bom Pastor, possamos estar abertos à ação silenciosa do Espírito, este que é o fundamento e nos impulsiona para a missão.

Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.   

 

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