ANO: 25 | Nº: 6335

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
06/05/2017 José Artur Maruri (Opinião)

Necessidade do trabalho

O Livro dos Espíritos, obra que, no dia 18 de abril, completou 160 anos e que marca o início do Espiritismo, traz no capítulo 3 do livro terceiro, uma pergunta dirigida por Allan Kardec aos Espíritos reveladores das verdades imortais:

         "674. A necessidade do trabalho é uma lei da natureza? — O trabalho é uma lei da natureza, e por isso mesmo é uma necessidade. A civilização obriga o homem a trabalhar mais, porque aumenta as suas necessidades e os seus prazeres. 675. Só devemos entender por trabalho as ocupações materiais? — Não; o Espírito também trabalha, como o corpo. Toda ocupação útil é trabalho".

         Na segunda-feira última, celebramos o Dia Internacional do Trabalho. A data, como de costume, foi marcada por intensas manifestações populares. Ainda mais com o trâmite, perante o Congresso Nacional, de uma reforma Trabalhista inclinada a afastar direitos consolidados dos trabalhadores.

         Como consta da obra magna do Espiritismo, a lei do trabalho está inserta no livro terceiro, intitulado "As Leis Morais". Segundo qualquer dicionário, moral é "algo pertencente ao domínio do espírito do homem". Por isso, o Allan Kardec, orientado pelos Espíritos, assim posiciona a lei do trabalho.

         O mesmo Allan Kardec, na Revista Espírita de julho de 1862, na coluna intitulada "Ponto de Vista", assim inferiu:

         "A vida corporal é necessária ao Espírito, ou à alma, o que é a mesma coisa, para que possa realizar neste mundo material as funções que lhe são designadas pela Providência: é uma das engrenagens da harmonia universal. A atividade que, mau grado seu, é forçado a desenvolver nas funções que exerce, crendo agir por si mesmo, auxilia o desenvolvimento de sua inteligência e lhe facilita o adiantamento".

         Ele prosseguiu:

         "A experiência dos que viveram vem provar que uma vida terrena inútil ou mal empregada não tem proveito para o futuro, e que aqueles que aqui só buscarem satisfações materiais as pagam muito caro, seja por sofrimentos no mundo dos Espíritos, seja pela obrigação de recomeçar a tarefa em condições mais penosas que as do passado; tal é o caso dos que sofrem na Terra".

         Como se vê, imersos numa lei natural, numa lei moral, que pertence ao Espírito do homem, não podemos nos afastar da engrenagem que é muito maior que qualquer um de nós. Se não nos submetermos ao trabalho agora, seremos submetidos depois, até em condições piores.

         Até mesmo os animais trabalham. Tudo trabalha na natureza. Os próprios Espíritos referem que o trabalho, para os homens, tem um duplo objetivo: "a conservação do corpo e o desenvolvimento do pensamento, que é também uma necessidade e que o eleva acima de si mesmo".

         Enfim, fiquemos com o dizer de Jason de Camargo, extraído da obra Educação dos Sentimentos:

         "Os homens e os animais são criaturas que sentem as lufadas do impulso evolutivo da consciência, em expansão no grande projeto universal de felicidade. Todos estão inscritos nesse monumental sistema de aperfeiçoamento cósmico. Ninguém se encontra afastado dele, o que significa dizer que o trabalho é a mola propulsora desse sistema universal. Sem ele, a estagnação e a ferrugem tomariam conta da alma e as pessoas permaneceriam à margem da estrada do aprimoramento e da felicidade".

(Referências: Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Livro terceiro. Capítulo 3. Allan Kardec. Revista Espírita. Julho de 1862. Editora FEB. p. 273. Jason de Camargo. Educação dos Sentimentos. Editora Francisco Spinelli. p. 161)

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