ANO: 25 | Nº: 6330

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
09/05/2017 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

A crítica pela crítica e o caminho da solução

Por que criticar é mais fácil que apontar soluções?

Porque parece inteligente ver o lado negativo. Em algum momento de nossa cultura passou-se a condenar o otimismo como sendo uma característica de pessoas sem cultura ou com pouca capacidade reflexiva.

Porque para apontar solução é preciso ver a iniciativa do outro com bondade.

Porque para apontar soluções é necessário ter empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro imaginariamente e fazer a pergunta: Será que eu faria melhor ou pior que isto?

Seria necessário reconhecer a capacidade alheia para isso e ser generoso é difícil. Exige formação do olhar para valorizar os outros, desde a formatação do caráter, e isso só se aprende com o exemplo, de casa, da família ou do grupo de convivência.

Porque a crítica não compromete, é um pseudo-envolvimento que nada exige, enquanto que dar uma sugestão poderia levar ao fiasco da ideia seguida dar em nada. É a velha máxima de que ser pedra é mais fácil que ser vidraça.

Porque quem critica não gosta de ser criticado, quem analisa não gosta de ser alvo de análise.

Sabe quando não é mais possível ficar ouvindo bater na mesma tecla? Quando ouvir os aspectos negativos da vida parece cansativo demais? Talvez por ser um dispositivo usado em demasia...

Sempre que alguém se detém a detalhar os pontos que precisam melhorar ou estão ruins em alguma ação ou projeto sinto um calafrio. Não porque não possa lidar com os lados obscuros ou negativos da crítica, não se trata disso. Tampouco porque o comentário não veio acompanhado da solução, isto não é surpreendente, é regra. Surpresa é quando uma avaliação sobressai pelos caminhos que aponta. Enxergar apenas um lado, além de cansativo, banal e repetitivo, muitas vezes abala a possibilidade de mudança, pois ceifa na origem da esperança, a capacidade de ver o bem nas coisas. E o calafrio é causado por a crítica gerar o oposto do que deveria. O aspecto positivo da análise é o crescimento. E quando mal feita gera o medo de errar, de se expor, o que tolhe a iniciativa. E temos assim um mundo de pessoas que não fazem para não errar. Da infância à maturidade, abrigados na segurança de não se expor ao erro, não se expor à crítica severa que humilha.

Há que se aprender a viver antes de aprender a apontar. Manda, a ética, que não se analisa aquilo que não dominamos. Sendo assim, fica minha sugestão: enquanto não encontramos o lado bom da vida, não ficar salientando os maus aspectos já é lucro.

 

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