ANO: 25 | Nº: 6209
10/05/2017 Editorial

Nível de endividamento

A crise econômica vivida no Brasil não atinge somente grandes corporações, indústrias, comércio e microempresas. Ela ataca diretamente o consumidor, que vê o poder de compra cair e, por consequência, o seu nível de endividamento aumentar. Aliado a isso, está, também, o aumento do desemprego no País. As famílias tiveram que mudar hábitos para sobreviver a uma das maiores crises que o Brasil enfrenta. Frente a esse cenário, vêm como solução imediata, os financiamentos, e assim a população acaba por se afundar mais em dívidas. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) divulgados pela Fecomércio-RS na semana passada apontam que o nível de endividamento dos gaúchos em março alcançou 73,9%, com elevação em relação ao percentual do mesmo período do ano passado (68,3%). A alta está vinculada ao endividamento por necessidade – quando as famílias acabam recorrendo a empréstimos para saldar suas dívidas -, tendo em vista as restrições do cenário atual, como desemprego e dificuldades de renda. No entanto, de acordo com a pesquisa, o índice de endividamento é moderado se considerado o histórico do indicador. O presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, frisa que o  cenário ainda é difícil e que o mercado de trabalho inibe o ajuste das famílias. Porém, lembra que, mesmo com dificuldades severas, a inadimplência se encontra em patamar moderado. De acordo com os dados, a média de 12 meses da parcela da renda comprometida com dívidas teve aumento em relação a fevereiro de 2016, ficando em 32,3%, contra 31,8% do ano de 2017. O tempo de comprometimento da dívida no período de 12 meses também cresceu para 7,8 meses. O cartão de crédito ainda é o principal meio de dívida dos gaúchos, apontado por 86,3% dos entrevistados, seguido por carnês (21,7%), financiamento de veículos (16,6%) e cheque especial (16,1%).

O percentual de famílias com contas em atraso em março ficou em 31,0%, permanecendo estável em relação ao mesmo mês do ano passado. O indicador segue a tendência dos últimos meses, praticamente sem alterações. Atualmente, a conjuntura de alto desemprego impacta negativamente a inadimplência. No entanto, a contenção do endividamento nos últimos anos contribui para que esse impacto seja controlado.
O índice de famílias que não terão condições de regularizar nenhuma parte de suas dívidas no horizonte de 30 dias atingiu 14,1% em março de 2017, alta na comparação com março de 2016 (8,3%). O indicador permanece elevado, próximo a um dos maiores valores do seu histórico.

 

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