ANO: 25 | Nº: 6399

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
11/05/2017 João L. Roschildt (Opinião)

Arquipélagos sexuais

O psiquiatra Theodore Dalrymple, ao analisar a herança da revolução sexual, afirmou de forma crítica que atualmente "uma incontida liberdade pessoal é o único bem a ser buscado; qualquer obstáculo a isso é um problema a ser superado". Todos os indivíduos racionais sabem que não seguir regras não traz como consequência uma maior liberdade, afinal o indivíduo vira um escravo de apetites. No campo da sexualidade, a defesa da licenciosidade gerou um aumento da destruição dos laços familiares, a perda de um sentido transcendente e uma enorme bestialização. Como assim?
Há poucos dias foi noticiado no The Independent que masturbar-se no trabalho pode ser útil. O psicólogo Mark Sergeant, da Nottingham Trent University, afirmou que uma pausa para a masturbação pode ser uma forma de aliviar a tensão e o stress. Já o psicólogo Cliff Arnall sugeriu que uma política de masturbação pode trazer "mais foco, menos agressão, mais produtividade e mais sorrisos". No entanto, Arnall indica que a falha na obtenção do orgasmo de forma rápida pode gerar aumento de frustração, apontando que não se deve fantasiar com nenhum colega de trabalho, pois isso pode gerar uma disfunção cognitiva.
No futebol, o assunto é bem conhecido. O folclórico Dadá Maravilha não se cansa de afirmar que somente três coisas paravam no ar: beija-flor, helicóptero e ele próprio. A razão disso? O ato de masturbar-se antes de cada jogo para ficar leve como uma pluma. Porém, diversos estudos indicam que a ausência de masturbação traz inúmeros benefícios, tais como o acúmulo de energia (inclusive sexual). Mas, para além do que foi dito, cada vez mais a revolução sexual prescrita por "intelectuais" como Marcuse, Foucault e feministas de diversas estirpes, estimulou o deslocamento das relações interpessoais para práticas individuais. O hedonismo passou a ser o novo fim humano e a nova droga do momento.
No ano passado o The Telegraph noticiou que a Corte Suprema italiana decidiu que a masturbação em público não é crime. O caso envolveu o idoso Pietro L., de 69 anos, que foi visto praticando autoerotismo na frente de estudantes na Universidade de Catania. Em um primeiro momento, ele foi multado em 3.420 euros e sentenciado a três meses de prisão. A justificativa para a revogação desta sentença foi o fato de que no ano de 2015 o parlamento descriminalizou a conduta, o que foi duramente criticado por políticos que viram nessa mudança de atitude legal um convite para maníacos molestarem mulheres.
A ausência de pudores, tanto na prescrição, descrição ou execução dos atos de masturbação, o que poderia ser declarado como sintoma de uma sociedade doente, viciada e prestes a naufragar na ausência de significado moral, hoje em dia é tomada como algo absolutamente natural. Caminhamos a passos largos para sociedades "formadas pelas experiências com droga, sexo, comunidades, outras formas de consciências e individualismos", conforme defendido por Foucault. Da teoria para prática. E ainda dizem que teorias não servem para nada! Como diz Dalrymple, "ninguém percebeu que a perda do sentido de vergonha significa a perda da privacidade; e que a perda da privacidade significa a perda da intimidade; e que a perda desta última produz a morte da profundidade". Mas os progressistas perceberam! E estão gozando o resultado...

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