ANO: 25 | Nº: 6382

Fernando Risch

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Escritor
12/05/2017 Fernando Risch (Opinião)

Não estou a fim de falar de coisa séria

Tem muita coisa séria rolando por aí. Quadrilha vindo a Bagé assaltar loja, Lula dando depoimento ao Moro, Luciano Huck querendo ser presidente, Trump demitindo o chefe do FBI. Isso é o que eu lembro. Tem muito mais. E amanhã terá mais. Semana que vem terá mais. Mas eu simplesmente não estou a fim. Não quero falar de nada que seja sério.

 

Hoje é sexta-feira. Neste espaço de tempo específico, pouco me importa os rumos da cidade, da nação e do mundo. Não quero saber. Estou cansado. Ironicamente, dormi muito bem nesta semana, obrigado por perguntar. Mas não é só falta de sono e trabalho que nos cansam. Têm o cansaço mental também, aquele proveniente de uma diarreia de informações atiradas na sua direção ou de pequenos e incessantes estresses sem sentido, que a vida gosta de imputar no seu caminho. No fim, nos perguntamos como chegamos àquele ponto e por que dispensamos tanta energia para tão pouco. Portanto, estou cansado.

 

Talvez existam aqueles que comprem minha briga contra a realidade, colocando-se ao meu lado e chutando o balde de chorume que é o dia a dia; outros, talvez me chamem de fraco, ou digam que eu não posso simplesmente desistir, mesmo que temporariamente, dos assuntos ululantes que urgem no nosso cotidiano modorrento e incompreensível. Pouco me importa o mundo hoje. Não tentem me convencer do contrário. Não há nada que me tirará o sono e me trará preocupação. Nem o fascismo dos tempos. Eles que guardem suas botinas empoeiradas e esperem eu voltar do meu descanso.

 

Façam como eu: desistam. Esqueçam tudo isso. Saiam das vigílias, pelo menos por hoje. Se isso trouxer a consequência de alguém fazer algo errado na surdina, deixe que faça. Pegamos os canalhas na segunda-feira. Hoje eu beberei cachaça, é só o que tem na minha geladeira. A cerveja está cara e eu ainda não paguei o aluguel. Mas o aluguel que espere, não me importo mais com ele. Ao menos não hoje. Não estou a fim de coisa séria, nem de encheção de saco. Ao saírem do recinto, apaguem a luz. Prefiro minha cachaça no escuro.

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