ANO: 25 | Nº: 6405

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
13/05/2017 José Artur Maruri (Opinião)

Chico Xavier e a xenoglassia

“Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, segundo o espírito lhes concedia declarar”. Atos – 2:4.

Ao nos depararmos com o dia das mães, impossível não lembrarmos de Francisco Cândido Xavier que, utilizando como ferramenta a mediunidade, consolou milhares de mães do mundo inteiro.

A humanidade sempre conviveu com a ideia inata de um mundo extracorpóreo.

No dizer de Emmanuel, a mediunidade, mesmo sem ser patrimônio exclusivo de um grupo, nem privilégio de alguém, como a queda d’água, pode nascer em qualquer parte.

Tanto no Egito Antigo como na Grécia Antiga existiam os deuses e assim também foi em Roma. Na América pré-colombiana os indígenas também veneravam os espíritos tal como as tribos africanas.

Assim como a engenharia disciplina a força da água, coube ao Espiritismo, sob as diretrizes kardequianas, ainda no século 19, traçar caminho seguro para o Cristo de Deus, a fim de que os médiuns e a mediunidade se coloquem efetivamente a serviço da sublimação espiritual.

Na inglória missão de convencer os incrédulos, Emmanuel, através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier, ainda por volta dos anos 40, produziu o seguinte texto, conforme referência de Marcel Souto Maior no livro que inspirou o filme “As Mães de Chico de Xavier”:

“LLEWRUOYEH

LFOSDNEIRF

YNAMEVAHUO

YNEMHTOTE

POHDNAHTUR

TEGRALYREV

YLURTSIESU

OHSREHTAFS

UORENEGRUO

SREHTORBYM”

Logo abaixo desse amontoado de letras, apareceria uma instrução de leitura assinada pelo mesmo espírito, Emmanuel:

“Meus amigos, boa saúde e paz, penso que se enfileirardes inversamente as minhas letras, elas vos revelarão o meu pensamento. Paz a todos nós”.

Enfileiradas ao inverso, as letras formaram a seguinte mensagem:

“My brothers, our generous Father s House is truly very large. Truth and hope to the men. You have many friends of the your well”.

Traduzindo:

“Meus irmãos, a Casa Generosa do Nosso Pai é, em verdade, muito vasta. Verdade e esperança aos homens. Tendes muitos amigos do vosso Bem”.

O repórter que cobria a figura do médium identificou um erro no texto original – o uso do “the” antes do “your” e cobrou uma explicação ao autor espiritual em inglês, que, em inglês, recebeu a seguinte resposta: “Nosso idioma é o pensamento”.

Entre os vários tipos de mediunidade de Francisco Cândido Xavier, uma delas era a chamada “xenoglossia” ou “mediunidade poliglota” que, segundo Martins Peralva, nada mais é do que a faculdade pela qual o médium se expressa, oral ou graficamente, por meio de idioma que não conhece na atual encarnação. Exatamente o caso de Chico Xavier que, na época, auxiliava o dono de um armazém em Pedro Leopoldo, interior de Minas Gerais.

O fenômeno apenas se torna possível porque “a mente humana, ligando-se ao pretérito distante, provoca a emersão, das profundezas subconscienciais, de expressões variegadas e multiformes que ali jazem adormecidas”, segundo Martins Peralva.

“Quando um médium analfabeto se põe a escrever sob o controle de um amigo domiciliado em nosso plano, isso não quer dizer que o mensageiro espiritual haja removido milagrosamente as pedras da ignorância. Mostra simplesmente que o psicógrafo traz consigo, de outras encarnações, a arte da escrita já conquistada e retida no arquivo da memória, cujos centros o companheiro desencarnado consegue manobrar”. – Áulus.

            (Referências bibliográficas: O Novo Testamento. Tradução de Haroldo Dutra Dias. FEB Editora. p. 479. Marcel Souto Maior. Por Trás do Véu de Ísis. Editora Planeta. p. 61-62. Martins Peralva. Estudando a Mediunidade. Cap. 37. p. 268-269.)

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...