ANO: 24 | Nº: 6162

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
13/05/2017 Marcelo Teixeira (Opinião)

Dilemas globalizados

Não é de hoje que amadureço a ideia de que a pior herança do governo petista foi a discórdia cultivada entre os seus governados. Nunca antes na história deste País assisti tanta intolerância raivosa contra a divergência. Um governo que jogou uns contra os outros, mandou os “mortadelas” sentarem o pau nos “coxinhas” e mostrarem a força da esquerda. Colocaram em prática aquilo que o slogan do PSTU diz: “Contra burguês, vote 16”, ou seja, estimularam uma luta de classes onde quem não for favorável à “causa operária” será considerado um inimigo que precisa ser combatido, eliminado, silenciado, excluído etc. De lambuja, esse “modus operandi” acabou reacendendo uma direita igualmente raivosa e perigosa, que fala em ditadura militar como se fosse algo com fundamento em alguma cláusula pétrea da Constituição Federal.
Isso tudo é muito mais grave que o rombo nas contas públicas criado pela irresponsabilidade fiscal de um desgoverno que durou enquanto durou o dinheiro dos burgueses que eles tanto odeiam e demonizam, mas que patrocinavam o projeto de poder dos “plebeus” com os bilhões de reais das propinas.
Uma prova disso foi o depoimento do ex-presidente Lula no meio da semana, quando as forças do submundo político foram convocadas e arregimentadas para, em massa, invadir Curitiba e coagir e assustar a sociedade civil e suas instituições oficiais de segurança e justiça. O curioso é que estes grupos, ao longo de 14 anos, foram mantidos exatamente onde sempre estiveram, na mesma condição financeira e social, somente para continuar servindo de massa de manobra para seus mentores e mantenedores.
Isso se vê, também, na Venezuela, mas com tintas muito mais fortes, dada a fragilidade das instituições daquele país, que ainda não conseguiram interromper o delírio bolivarianista que já comprometeu o futuro da Venezuela por um bom tempo.
A par desta reflexão, todavia, não pude deixar de observar, também, a sucessão presidencial nos EUA e, nesta semana, na França, o berço da tripartição dos poderes e da modernização política da civilização ocidental. Países desenvolvidos, do primeiro mundo, muito mais adiantados econômica, cultural e politicamente do que a nossa instável América Latina, mas vivendo problemas similares no que diz respeito a esta cisão do povo, à dificuldade de encontrar lideranças políticas mais qualificadas, com menores índices de rejeição e capazes de reconciliar a população. Pelo contrário, lutaram contra radicais de direita que se aproximaram ou chegaram ao poder, com um discurso raivoso, de intolerância, desagregador etc.
Ora, se é um fenômeno universal, que atinge países distintos, em situações distintas, minha suspeita inicial – de que a culpa seria do PT – ficou abalada. Não me animo a dizer que eles são inocentes, mas tenho que admitir que há fortes indícios de que esse “climão” político pode ter sido desencadeado e/ou incrementado por fatores externos. De um modo ou de outro, temos que pensar seriamente em restabelecer um clima de paz e harmonia intestina o quanto antes. Neste particular, parece que a França, mais uma vez, deu uma aula para o mundo indicando o caminho a ser tomado.

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