ANO: 25 | Nº: 6331
13/05/2017 Segurança

Polícia civil prende, em Carlos Barbosa, suspeito de matar jornalista bajeense

Foto: Divulgação

Tagli, como era carinhosamente conhecido
Tagli, como era carinhosamente conhecido

A 2ª Delegacia de Polícia de Homicídios e de Proteção à Pessoa e a Delegacia de Carlos Barbosa, na serra gaúcha, em ação coordenada pela delegada Roberta Bertoldo, prenderam na noite de quinta-feira, o suspeito do homicídio do jornalista bajeense Tagliene Padilha da Cruz (Tagli), 33 anos. O nome não foi revelado.

De acordo com a delegada, as informações através do Disque Denúncia e as imagens no entorno do apartamento da vítima auxiliaram a chegar até o suspeito de 25 anos, preso temporariamente. “Ele estava internado em uma clínica médica, em Carlos Barbosa. Informou que teria se internado lá 10 dias, acreditamos que seja em decorrência da divulgação de imagens e então ele queria evadir-se da responsabilização criminal”, diz.

Roberta relata que o suspeito mencionou que era conhecido do jornalista. Segundo ela, amigos da vítima informaram para a polícia que não teriam contato com essa pessoa, nem a conheciam. “Além das imagens, um dos elementos de prova são os tênis da vítima, que foram encontrados com ele. Os tênis dele ficaram no apartamento do Tagliene. Os calçados foram apreendidos”, acrescenta a delegada.

Conforme Roberta, o laudo pericial final até o momento não foi entregue para a investigação,  somente o laudo preliminar do Instituto Médico Legal que revela que a causa da morte foi por asfixia por estrangulamento.

A delegada diz que a investigação continua, para busca de saber qual foi a motivação do crime. “Também estamos aguardando outros laudos periciais do Instituto Geral de Perícias que se centram no confronto do material genético da vítima com o autor, que foram deixados em objetos no apartamento e também no reconhecimento facial, além da presença física do suspeito”, fala.

A policial declara que outra hipótese em torno da investigação pode ter sido latrocínio (roubo seguido de morte). “Apuramos a morte de Tagliene e a motivação somente ao final será constatada então levando ou para latrocínio ou homicídio”, explica.

Imagens

A delegada enfatiza que nas imagens obtidas pelas câmeras de videomonitoramento, quando o jornalista e o suspeito entraram numa loja de conveniência para comprar cervejas, o acusado usava tênis da marca “Nike Shot”, azul, e ao sair do apartamento estava usando outros tênis, de outra cor, que pertenceriam  à vítima. “Nós temos fotografias repassadas por familiares, onde a vítima estava com os calçados, que são bem diferentes e o acusado deixou os seus na residência do jornalista. Ambos os calçados foram apreendidos para investigação”, relata. Roberta.

A imagem mostra que, por volta das 22h56min, do dia 23 de abril, Tagliene se encontra com o suspeito, que caminha no sentido Parque da Redenção em direção ao apartamento da vítima, onde residia, na avenida João Pessoa, quase esquina com a avenida Venâncio Aires, no bairro Farroupilha. “Em ato contínuo, os dois se encaminharam a um posto de combustível, próximo ao local e foram até a loja de conveniências, compraram bebidas e retornaram ao apartamento. No posto, há imagens nítidas do autor, dá para ver as roupas e até mesmo tatuagens que ele possui”, conta.

O suspeito  levou uma mochila e um moletom que a vítima vestia no dia do crime, um notebook e o telefone celular. "As chaves do apartamento do jornalista ainda não foram encontradas", declara a delegada. “Ele após cometer o homicídio, sai do interior do prédio, mas ficou preso no condomínio, porque não possuía um “tag” de saída, interfonou para alguns vizinhos de Tagliene, ninguém suspeitou que ele seria um criminoso, e então, um morador, após as 00h51min, se depara com ele, pois estava de saída, ia viajar para o interior, e o suspeito disse que tinha esquecido a “senha”, mas não havia senha para isso, e então o vizinho mesmo estranhando abriu a porta e ele saiu tranquilamente, chegou até a cumprimentar um porteiro de um prédio próximo e foi em direção a casa de um familiar, que residiria muito próximo à residência da vítima”, detalha a delegada.

Ainda salienta que com a ajuda da imprensa e da população, com a divulgação das imagens, foi  possível que as pessoas fizessem denúncias. “Com as denúncias e já com a autoria definida, descobrimos que o acusado tinha ido para a serra gaúcha, em Carlos Barbosa, para uma clínica de reabilitação de dependentes químicos. Não sabíamos que tinha problemas com drogas, suspeitávamos que  teria ido apenas para o local para se ocultar da responsabilidade criminal”, frisa Roberta.

A primeira Vara do Júri de Porto Alegre deferiu um mandado de prisão temporária de 30 dias para o suspeito, com objetivo de a Polícia Civil conseguir concluir as investigações, submetê-lo a reconhecimento facial a partir das imagens e confronto genético coletado na cena do crime.

A policial salientou que o acusado ainda não foi interrogado, pois solicitou um advogado. Segundo a delegada, informalmente ele disse que não teve participação no crime e que conhecia “de vista” a vítima.

A titular da Delegacia de Homicídios contou que o suspeito admitiu ser usuário de cocaína, crack e álcool, possui antecedentes por furto qualificado em estabelecimento na cidade de Torres, tendo passagem prisional e também por dano ao patrimônio.

O crime

No dia 23 de abril, Tagliene foi morto em seu apartamento, na avenida João Pessoa, bairro Farroupilha, em Porto Alegre. No dia 24, amigos e colegas sentiram a falta do jornalista. Com uma chave reserva, amigos abriram o apartamento e o encontraram morto, em cima da cama, enrolado em um edredom.

O Instituto Médico Legal, em laudo preliminar, determinou a causa da morte por asfixia por estrangulamento.

 

 

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