ANO: 25 | Nº: 6309

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
16/05/2017 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Sobre baleias e golfinhos

Todos sabem que baleias, focas e golfinhos são mamíferos aquáticos, animais que passam a vida inteira embaixo d'água. O interessante é que sendo mamíferos, têm pulmões e estes necessitam de oxigênio, não o oxigênio da água, e sim o que existe no ar. Portanto, isso faz deles animais incríveis e interessantíssimos, que vivem num ambiente que poderia ser hostil, mas não o é, fazendo constantemente uma viagem até a superfície em busca de oxigênio. A baleia da espécie cachalote chega a ficar até uma hora sem subir à luz ao encontro do ar.

Fazendo uma metáfora fico pensando que a nossa vida cotidiana seria o equivalente a longos, e muitas vezes escuros, mergulhos nas profundezas do oceano. E o que seria nosso ar? O que seria nossos voos até a superfície em busca de esvaziar e novamente preencher os pulmões com o refrescante ar novo? Qual seria nosso hiato entre um mergulho e outro? Diferentemente das baleias, conseguimos ficar meses, anos, até uma vida inteira sem fazer  aquilo que nos renovaria... Ler, escrever, sapatear, cantar, jogar futebol, pescar, praticar rapel, contemplar o céu, cozinhar por prazer, fazer teatro ou catar coquinho no asfalto. Seja o que for, faz falta e toda a diferença, é assinatura interior, DNA da personalidade.

Todos tem sua troca gasosa pessoal. Cada um necessita de algo em particular que faz toda a diferença, preenche a alma, reabastece de vitalidade e traz significado para que se consiga dar continuidade à roda viva do existir. É necessário ter o interesse em descobrir o que é. Desde a infância temos pistas sobre o que é o nosso oxigênio privado. E quem já sabe deve respeitar e valorizar. Infelizmente, pela praga do utilitarismo, na maioria das vezes, já sabemos e negligenciamos seu valor, ficando mais opacos, sem viço, sem brilho, sem luz. O ato de respirar da alma é individual, é único e necessita de atenção e prática. Pessoas felizes, espontâneas e excêntricas sabem a hora de emergir e submergir e o fazem sem cerimônia alguma, pois este gesto pode representar a diferença entre viver e apenas existir.

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