ANO: 25 | Nº: 6312

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
18/05/2017 João L. Roschildt (Opinião)

Arquipélagos sexuais II

A história do pensamento possui interessantes e horrendos capítulos agregados a um fato inegável: as ideias têm consequências. Desconsiderá-las é estar apartado da realidade. Desconhecê-las é o mesmo que estar submetido a uma prisão intelectual.

No século passado, diversos intelectuais resolveram tratar do tema da sexualidade. A maior parte deles esteve intimamente vinculado com uma herança marxista que entendia que um novo tipo de revolução deveria ser forjada, diante do fracasso da oposição entre proletários e burgueses. A destruição da sociedade tradicional deveria ser através da cultura. Foi isso que asseverou Gramsci, acrescentando que escolas, mídia, literatura, história, igreja e família deveriam ser invadidas pela lógica do opressor e do oprimido como uma chave de interpretação das relações sociais. Portanto, em todas as instituições haveria uma espécie de opressão no qual a libertação desse ciclo estaria diretamente vinculada a uma negação do passado (tomado como algo ruim).

Neste diapasão, as raias do sexo são invadidas por visões teóricas que entendem que a sua prática é mais uma forma de poder e de opressão (masculina ou social). Com isso, Marcuse estimulou o amor-livre, desprendido dos compromissos e responsabilidades que tradicionalmente se reputam ao ato. Foi ele o grande arquiteto hippie. Foucault não se esquivou de comparar que a experiência da "verdade" no uso de LSD só se equiparava à prática de sexo com um desconhecido. E as feministas, como surfaram esta onda?

A grosso modo as construções teóricas e práticas do feminismo envolvem a exposição crítica da subordinação injusta pela qual as mulheres se submetem em sociedade. Romper com este "tabu" faz parte de suas dinâmicas. Afinal, o passado representa o patriarcalismo, o cristianismo, o capitalismo... símbolos de opressão! Não à toa os escritos das teóricas do feminismo estão repletos de frases contrárias a homens ou até mesmo com relação às práticas sexuais. Mas algumas conseguem ir mais longe: "e, se além disso, admitimos que o tabu do incesto é hoje necessário apenas para preservar a família; então, se destruirmos a família, estaremos, na verdade, destruindo as repressões que moldam a sexualidade em estruturas específicas". Esta foi a defesa explícita do incesto por parte de Shulamith Firestone no livro "Dialética do sexo", afinal, não se pode esquecer que a família é mais uma estrutura opressora no seio da sociedade ocidental... e em nome da causa, até mesmo o incesto é permitido...

No ano passado, Melissa Kitchens e Shaun Thomas Pfeiffer foram presos pela prática de incesto. Neste ano, Monica Mares e Caleb Peterson, mãe e filho, foram condenados por possuírem uma "atração genética sexual". São exemplos reais dos desejos teóricos expostos acima: licenciosidade, novas experiências na busca da "verdade", incesto... rompimentos de tabus para romper com os laços sociais tradicionais que construíram nossa civilização. Quanto mais lícito e moralmente aceito forem as inclinações para instintos bárbaros ou para atos absolutamente irracionais, menores serão os vínculos sociais e os freios que impedem o declínio da humanidade. Quanto mais licenciosas forem as práticas sexuais, maiores serão as possibilidades de implementação desta agenda revolucionária... e de naufragar por completo

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