ANO: 24 | Nº: 6039

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
20/05/2017 Marcelo Teixeira (Opinião)

A cabana ecumênica

 

            Apesar de gostar do assunto, sempre que posso evito falar sobre religião neste espaço exatamente porque sábado é o dia da página ecumênica do MINUANO, lá no finzinho do Jornal. Todavia, hoje, não resisti à tentação de comentar o marcante e inesquecível filme “A Cabana” (The Shack, EUA, 2017) com a convicção de que não é propriamente um filme sobre religião, apesar de apresentar a Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) como personagem. Tanto que em determinado momento do filme, o próprio Jesus Cristo afirma que “religião é uma coisa muito complicada” (ou algo parecido com isso – assisti a versão dublada).

            E ao longo da trama isso se confirma, pois em momento algum fica claro se o filme é evangélico, protestante, católico, espírita etc. Pelo contrário, ele certamente incomodou os religiosos mais conservadores, dogmáticos e intolerantes, de todas as religiões. Sem dúvida isso foi uma estratégia muito inteligente do autor para conquistar todos os públicos, pois se ele fosse fiel aos dogmas ou crenças desta ou daquela religião, ele certamente ganharia a antipatia dos que professam fé diversa.

            O filme parece ter sido feito por leigos e para os leigos que aqui ou ali divergem de algumas verdades, posturas ou posições de sua e/ou de alguma outra igreja. Lança pontos de vista diferentes sobre mistérios e verdades jamais questionadas, como, por exemplo, o fato de Deus ser uma mulher negra e apresentar os mesmos estigmas da crucificação de Jesus.

            Percebe-se, com isso, uma clara intenção do autor de afrontar muitos dos entendimentos sagrados e consagrados ao longo dos séculos de cristianismo, mas acaba demonstrando que isso não prejudica em nada o valor e a importância da mensagem dos evangelhos. Além disso, ainda humaniza a Santíssima Trindade, a aproximando daqueles que sempre a adoraram e descomplica o entendimento da relação entre eles. E se tem uma coisa complicada de explicar e de entender quando se estuda a Bíblia Sagrada, é esta relação entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

            Então, a postura mais recomendável para quem se propõe a ficar um pouco mais de duas horas na frente de uma telona ou de uma telinha assistindo “A Cabana”, é se desvencilhar de suas convicções religiosas e se encher de boa vontade para ver uma abordagem nada tradicional nem muito sagrada sobre Deus, Jesus Cristo e o Espírito Santo.

            Quem realmente acreditar em Deus e conseguir se desvestir de seus dogmas religiosos, certamente sairá transformado da experiência de assistir “A Cabana”. Adorei o filme e recomendo! E quanto mais os fiscais da fé e hipócritas o criticarem, mais certeza eu terei de que, como Deus disse no filme, muitos não entenderam a verdadeira essência da mensagem de Jesus de Nazaré.

            

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