ANO: 24 | Nº: 6104

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
20/05/2017 Airton Gusmão (Opinião)

Guardar o mandamento do amor

“Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele”(Jo 14,21).

O Evangelho deste sexto Domingo do Tempo Pascal apresenta a segunda parte do discurso de despedida de Jesus (Jo 14, 15-21). O tema central recai sobre a promessa da vinda do Espírito Santo como “Paráclito”, ou seja, como defensor e continuador da missão de Jesus e que conservará os discípulos na Verdade que Ele deu a conhecer com a sua própria vida. Poderíamos nos perguntar: qual é a Verdade que Jesus nos deu a conhecer? O Evangelista João na sua primeira carta assim responde: “Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele” (1 Jo 4, 16). Com esta frase São João revela a centralidade da fé cristã; não há outro caminho para o homem senão acreditar no amor de Deus por todos, buscando responder a este dom da mesma maneira, “dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10), agora o amor já não é apenas um ‘mandamento’, mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro” (Deus é Amor, nº1). Neste sentido, entendemos a afirmação de Jesus quando ressalta que, somente aqueles que acolhem o amor de Deus no Filho e respondem com o amor, é que são capazes de apreender e acolher o Espírito Santo. A estes, que se abrem ao dom de Deus, Jesus se faz íntimo e garante a sua presença para sempre através do seu Espírito Santo: “(...) Quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele” (Jo 14, 21).

É certo que, nós cristãos, reconhecemos o amor de Deus por nós; no entanto, para muitos isto não tem implicação na sua vida cotidiana. Esta talvez seja uma importante reflexão a ser feita a partir deste Evangelho. De que forma nos damos conta de que Deus nos ama? Não há outro caminho senão o serviço. No final do grande gesto de humildade e de amor feito por Jesus aos discípulos está escrito: “Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, vós também o façais” (Jo 13, 15). O quanto este amor de Deus revelado por Cristo nos torna sensíveis a dor do nosso irmão?  A prática do amor ao próximo revela o quanto reconhecemos o amor de Deus por nós. O Papa Francisco quando esteve em Lampedusa foi muito profético ao dizer: “(...) Perdemos o sentido da responsabilidade fraterna; caímos na atitude hipócrita do sacerdote e do levita de que falava Jesus na parábola do Bom Samaritano: ao vermos o irmão quase morto na beira da estrada, talvez pensemos 'coitado' e prosseguimos o nosso caminho, não é dever nosso; e isto basta para nos tranquilizarmos, para sentirmos a consciência em ordem. A cultura do bem-estar, que nos leva a pensar em nós mesmos, torna-nos insensíveis aos gritos dos outros, faz-nos viver como se fôssemos bolas de sabão: estas são bonitas, mas não são nada, são pura ilusão do fútil, do provisório. Esta cultura do bem-estar leva à indiferença a respeito dos outros; antes, leva à globalização da indiferença. Neste mundo da globalização, caímos na globalização da indiferença. Habituamo-nos ao sofrimento do outro; não nos diz respeito, não nos interessa, não é responsabilidade nossa! (Homilia, Papa Francisco, 8 de Julho de 2013).

Que ao nos aproximarmos da festa de Pentecostes, o Espírito Santo sempre nos conduza na Verdade que é Cristo e que saibamos sempre amar o próximo como Deus nos amou!

Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

 

 

 

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