ANO: 25 | Nº: 6309

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
23/05/2017 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Na hora de comprar quem está no controle?

A sociedade baseada no consumo promoveu o nascimento da compulsão por comprar.

É a tentativa de conquistar satisfação pessoal adquirindo bens de consumo que prometem envolver sua imagem numa aura de sucesso, beleza, inteligência, autoestima e autoconfiança. Parece uma atitude rápida, prática e garantida. Engano!

Pode haver um problema de saúde mundial escondido por trás do simples ato de fazer uma compra. Trata-se da compulsão, uma patologia que segundo a Organização Mundial de Saúde atinge 5% da população mundial. Se essa matemática estiver correta, significa que algo em torno de 300 milhões de pessoas sofrem dessa doença.

Um hábito que se torna doença, um vício. A vítima é incapaz de controlar ou explicar. Na maioria das vezes, tem muita dificuldade em perceber e reconhecer que seus problemas estão diretamente ligados ao ato incontrolável por comprar. A exemplo de outros compulsivos, alcoólatras, comedores, viciados em drogas e jogadores, o mecanismo é psicológico e pode ser disfarçado ou encoberto durante anos através de um hábito social. Por algum motivo (pré disposição genética, químico e ou social) este hábito torna-se um ciclo vicioso. A sensação de infelicidade tenta ser aplacada momentaneamente ou apenas amenizada nas compras, atitude que promove o desajuste financeiro e dificuldades de relacionamentos, pois, não raro, compromete o orçamento familiar, acarretando em mais sensação de infelicidade caracterizando o recomeço do  ciclo.

É importante fazer, então, uma distinção básica. O comprador impulsivo é aquele que compra para satisfazer uma necessidade social. Já o comprador compulsivo o faz na tentativa de preencher um vazio pessoal.

A origem do problema está associada a conflitos emocionais não resolvidos. A depressão está fortemente relacionada à compulsão por compras. Muitas vezes trata-se de uma depressão leve ou crônica, sensação de melancolia e tristeza que acompanha a pessoa há anos, sem diagnóstico e tratamento adequados. Parece que o perfil alvo é alguém que não está obtendo realização em sua vida  e não sabe como resolver sua crise, ficando indefeso aos apelos do comércio.

Usar boa parte do tempo comprando ou pensando em comprar, comprometendo ou perturbando, com essa atitude, o ambiente de trabalho e as relações familiares é um sinal de alerta.

É necessário para proteger-se valorizar mais o ser que o ter. Precisamos refletir seriamente sobre as consequências desse modo de vida que identifica e classifica de acordo com a roupa, o carro, a casa, a viagem, o celular e várias outras etiquetas que determinam quem é de primeira ou segunda classe.

Saudável é buscar sempre a introspecção que é o investimento nas riquezas interiores através do desenvolvimento de hábitos como a leitura, meditação, relaxamento, ouvir uma boa música, cultivar um hobby ou filosofar sobre a vida com um bom amigo. O mais importante é encontrar tempo e significado para a própria existência. 

Sempre que sentir dificuldade sobre este assunto busque mais informação, reflita e procure ajuda. Ser dono das próprias decisões sempre vale a pena.

 

 

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