ANO: 24 | Nº: 6162
24/05/2017 Campo e Negócios

ABCCC reverencia trajetória de Daniel Anzanello

Foto: Divulgação

A tarde da última segunda-feira, dia 22, foi de fortes emoções em um casarão tradicional da avenida Protásio Alves, em Porto Alegre. Agendado há duas semanas, o encontro entre membros da diretoria da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) e a família Anzanello era aguardado por todos com uma certa ansiedade e com a responsabilidade de quem sabe a importância de representar uma raça inteira. O principal homenageado, Daniel Anzanello, também aguardava a chegada de todos com uma certa expectativa. Seu filho, José Antônio Anzanello, revelou que o ex-presidente da entidade estava muito animado e aguardava ansioso a chegada do grupo.

A comitiva foi composta pelo presidente da ABCCC, Eduardo Suñé, pela ex-presidente e membro do Conselho Fiscal da entidade, Elizabeth Amaral Lemos, pelo também membro do Conselho Fiscal, Gilberto Freitas, e pela coordenadora de Comunicação e Marketing, Camilla Menezes. 

No segundo andar da casa, Daniel Anzanello e a esposa, dona Laurinha, aguardavam a todos cientes da euforia formada pelos presentes em torno do homenageado.

A entrega da placa foi feita pelo presidente da entidade, que, em um breve discurso, fez seu agradecimento a Daniel Anzanello por toda a sua contribuição à raça Crioula. Suñé também explicou que uma placa como aquela será responsável por inaugurar a "Parede da Fama", no Tattersall do Cavalo Crioulo durante a Expointer deste ano. Anzanello será o primeiro a ter o seu trabalho reverenciado e eternizado no local. A revelação foi recebida com aplausos por todos os presentes.

"Meu pai ficou muito contente. Ele sempre fica feliz quando lembram dele, e acredito que a ABCCC acertou em cheio porque lembrou do trabalho que ele doou pela entidade e pela raça. E mostrou para ele que isso não foi esquecido", destacou o filho, José Antônio Anzanello.

A vice-presidente de sua gestão e sua sucessora no cargo de presidente, Elizabeth Amaral Lemos, relembra, emocionada, a trajetória do amigo. "Ele foi um elo muito importante entre a ABCCC e os núcleos que na época estavam distanciados. Ele veio para unir todo mundo, ele congregou e ouviu os anseios dos crioulistas. Ele sempre foi muito calmo, sabia ouvir e sabia digerir as coisas que ele ouvia e aplicar naquilo que poderia ser feito. Fora isso, tem um marco muito grande na sua gestão, que foi a parceria com a televisão", completou.

Para Suñé, foi uma oportunidade muito especial. "Para a nossa diretoria, essa homenagem significa prestar reconhecimento a um visionário que realmente mudou os rumos da nossa raça. Tenho certeza que esse é o sentimento de todos os ex-presidentes da casa, e é uma honra termos podido fazer essa homenagem a esse chefe de família, cabanheiro extraordinário e gestor excepcional para a nossa ABCCC. Estamos muito felizes em termos a oportunidade de reverenciá-lo em vida. Foi uma grande honra poder ver o seu brilho no olho, juntamente com a dona Laurinha, os filhos e os netos. Certamente, temos que considerar a raça Crioula antes e depois de seu Daniel Anzanello.", disse Suñé.

 

Saiba mais sobre Daniel Anzanello

Qual seria a fórmula do sucesso de uma cabanha? Em quatro décadas de seleção de cavalos Crioulos, uma história construída com base na dedicação e no amor à raça, mostrou que o trabalho simples, quando planejado e bem executado, pode trazer grandes resultados. Foi justamente dessa forma, sem extravagâncias ou exageros, que se consolidou o mais premiado dos criatórios do Brasil: a Cabanha Santa Edwiges.

E o sucesso da criação se reflete no perfil do seu idealizador. Quem conhece Daniel Anzanello, ou em alguma oportunidade trocou duas ou três palavras com ele, sabe que o status de criador mais vencedor do Freio de Ouro contrasta com a sua imagem serena e pacífica. A tranquilidade no olhar e o riso fácil são marcas conhecidas do criador, que, há 40 anos, deu início a um legado de conquistas.

Anzanello trouxe para a raça Crioula importante contribuição, tanto pelos caminhos que escolheu trilhar na administração da sua seleção quanto na forma de gestão visionária que implementou no período em que presidiu a ABCCC, entre os anos de 1999 e 2001.

Esse período é reconhecido, ainda hoje, como um "divisor de águas" na história do cavalo Crioulo no Brasil, principalmente pela disseminação das suas virtudes e da cultura pelo País, através dos principais canais de mídia do ramo. A consciência da importância dada a essa visibilidade fez do criador um dos gestores de maior destaque na história da entidade. A habilidade como administrador e o bom relacionamento lhe deram, em todos os segmentos em que atuou, o prestígio e o reconhecimento. No entanto, outro importante elemento fortaleceu o trabalho que hoje é compartilhado por toda família Anzanello: a devoção à Santa Edwiges, a santa protetora dos negócios.

Por todos esses motivos, se justificam a coleção de troféus e a extensa lista de prêmios conquistados pelo criatório. Afinal, o resultado nunca é fruto do acaso. E no caso da Cabanha Santa Edwiges e da família Anzanello, pode-se dizer que é mérito de quem acredita e faz. Ao ver a placa entregue ao ex-presidente pela diretoria da ABCCC, José Antônio Anzanello foi questionado sobre como gostaria que o pai fosse lembrado pelas futuras gerações da raça e respondeu: "Com o brilho nos olhos que ele carregava toda vez que ele falava de cavalos".

 

Deixe seu comentário abaixo

Em tempo real

Outras edições

Carregando...