ANO: 25 | Nº: 6362
24/05/2017 Cidade

Bajeenses homenageiam Nossa Senhora Auxiliadora

Foto: Tiago Rolim de Moura

Kláudia procura incentivar a tradição
Kláudia procura incentivar a tradição

Hoje é dia de homenagear a copadroeira de Bagé, Nossa Senhora Auxiliadora. O auge da programação acontece às 17h com a missa solene presidida pelo bispo dom Gílio Felício e, logo depois, com a procissão luminosa. Durante a caminhada, os católicos bajeenses costumam acender velas e colocá-las nas janelas das casas. Outra tradição da festa, são os vitrais coloridos nos prédios públicos.
Durante o trajeto, que vai ser pela avenida Sete de Setembro, até a Catedral de São Sebastião, ocorrem paradas na 13ª Coordenadoria Regional de Educação (13ª CRE), Instituto Municipal de Belas Artes (Imba) e Casa de Cultura Pedro Wayne.  

De acordo com o coordenador dos festejos, o seminarista salesiano Luiz Opata, a novena encerrou nesta terça-feira com a vigília juvenil. O religioso informa que durante a procissão vai haver apresentação do coral da 13ª CRE e a professora Elizabeth Infantini entoará a Ave Maria acompanhada pela pianista Lúcia Bezerra.

Opata fala sobre a tradição das velas. Esse é um costume que remonta o ano de 1943, quando o padre Aquino Rocha solicitou que a população apagasse as luzes das casas e deixasse apenas uma vela na janela, pedindo que os soldados voltassem com vida da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).


Ecumenismo

O coordenador informa que a Igreja Anglicana do Brasil tocará os sinos no início da procissão e a reverenda Ana Maria Esvael Lopes acompanhará o traje


De geração para geração

Para manter viva a tradição de acender velas nas janelas, que perdura há mais de 74 anos, durante todo o mês de maio, foi realizado um trabalho com crianças de escolas das redes pública e privada. A professora Kláudia Monteiro Martins conta que os estudantes visitaram o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, onde foi feito um relato sobre esse costume. "Há vários anos se faz a hora do conto e a cada ano usamos técnicas diferentes para incentivar os participantes a não deixar morrer a tradição. É preciso que essa cultura passe de geração para geração", frisa.

O músico aposentado Francisco Meinardo, 72 anos, tem lembranças de sua infância, quando a maioria das casas do centro da cidade eram enfeitadas para a passagem da imagem da santa durante a procissão.

A professora aposentada Ivone Collares Lado, 65 anos, sempre foi devota de Nossa Senhora Auxiliadora. Ela já foi catequista e ajuda na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora. Ivone recorda que a tradição das velas votivas sempre foi mais forte do que os vitrais. "No passado, algumas casas mais antigas colocavam imagens, toalhas e velas como símbolo de luz e paz e em homenagem à santa", recorda.

Outra lembrança de Ivone é a participação das devotas denominadas "Filhas de Maria", durante a novena. "Elas entravam em oração durante as missas", relata.

A diretora da Casa de Cultura Pedro Wayne, Heloisa Beckman, 66 anos, também recorda dos antigos vitrais. A artista lembra que a tradição dos vitrais iniciou após as velas votivas. "Inicialmente eram colocadas lamparinas de vidro para que as velas não apagassem e, posteriormente, as pessoas foram colocando papel colorido", recorda.

Heloisa salienta que os vitrais foram inseridos com o passar do tempo, ainda na década de 40, para proporcionar mais brilho e cor na procissão. "Toda essa tradição faz parte do patrimônio imaterial do município e é uma expressão singular, religiosa e cultural de Bagé", frisa   


Dois padroeiros

O padroeiro de Bagé desde a fundação da cidade é São Sebastião, quando a humilde capela do início da povoação deu origem à matriz. De acordo com o bispo Dom Gílio Felício, o protagonismo dos salesianos que chegaram em Bagé em 1904 fez com que crescesse a devoção em Nossa Senhora Auxiliadora.

De acordo com o prelado, poucos municípios no País têm dois padroeiros e a função dos santos, segundo ele, é proteger os devotos e a cidade. A transformação de Nossa Senhora Auxiliadora em copadroeira de Bagé surgiu com o crescimento da devoção e por apelo popular.


Decreto

Nossa Senhora Auxiliadora se tornou copadroeira de Bagé no decreto legislativo do dia 2 de julho de 1958, sancionado pelo então prefeito em exercício, vereador Palmor Brignol. O documento declarou a data de 24 de maio como dia santo municipal, considerando como ponto facultativo e feriado escolar. O projeto foi apresentado no Legislativo pelo então vereador Frederico Petrucci, que foi por longos anos professor no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora.

 

 

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