ANO: 26 | Nº: 6554

Márcia Dilmann Sousa

marciasifa@hotmail.com
26/05/2017 Márcia Dilmann Sousa (Fogo cruzado)

Mainardi afirma que não é citado em lista da JBS

Foto: Divulgação

Na edição conjunta desta quarta e quinta-feira o MINUANO publicou o comentário da colunista da Zero Hora, jornalista Rosane Oliveira, onde ela diz que o deputado estadual Luiz Fernando Mainardi foi o político na Assembleia Legislativa que recebeu maior contribuição da JBS, no valor de R$ 500 mil, para a campanha eleitoral.

Por meio de sua assessoria de imprensa, Mainardi informou ao MINUANO que a doação que  recebeu foi dentro da legislação vigente e que não foi cometida nenhuma ilegalidade. Como estava envolvido em um evento promovido pelo seu gabinete, Mainardi disse que poderia prestar esclarecimentos ao jornal na próxima edição.

Nesta entrevista, ele fala sobre a doação que recebeu e afirma que declarou tudo o que arrecadou e gastou.

 

1 – O senhor foi realmente apontado em alguma lista nas delações da JBS?

            Mainardi: Isso não é verdade. Não estou citado em nenhuma lista. O delator da JBS falou sobre um esquema de propina que envolvia a campanha do Aécio Neves, que como todos sabem em Bagé, não era o meu candidato. Na delação ele cita alguns políticos. Eu não estou entre os citados. Isso precisa ficar bem claro. Outra coisa é a lista apurada pela imprensa dos mais de 1800 candidatos para os quais a JBS contribuiu em todo o Brasil. Nessa lista, está o meu nome, e de outros políticos de Bagé. A JBS tinha uma cultura de contribuir com todo mundo. O problema foi quem recebeu e não declarou.

 

2 – Como se sabe, a JBS fez doações generalizadas em todo o País, independentemente de partido. Existe alguma diferença nessas contribuições?

Mainardi: A diferença é a conduta do candidato. Se a doação é declarada e consta na prestação de contas, não há nada ilegal aí e nem ilegítimo. As grandes empresas brasileiras sempre contribuíram para todos. O que se deve procurar é se há alguma vínculo de interesse escuso e/ou ilegítimo entre contribuições e a ação político-parlamentar do homem público. No caso da turma do Aécio, está claro que havia um vínculo desse tipo. Aécio recebia propina e agia em benefício da empresa. Não é o meu caso.

 

3 – O senhor já tinha recebido contribuição anterior da JBS?

Maianrdi: Não, esta foi a única. E foi muito importante para a minha campanha. Veja, gastei algo em torno de R$ 1,2 milhão na campanha eleitoral. Declarei tudo que arrecadei e gastei. Na minha campanha não teve caixa 2. Tudo está lá declarado e aprovado pelo TRE. E em que foram feitos esses gastos? Em panfletos, em televisão, em deslocamentos por todo o Estado. Embora minha votação mais expressiva tenha sido em Bagé, eu recebi votos em quase 400 municípios do Rio Grande do Sul. Isso exigiu muitas viagens. Como já disse em outras ocasiões, o sistema eleitoral exigia que os candidatos obtivessem recursos porque eram caras. Tomara que isso seja diferente na próxima. Luto por isso.

 

4 – Quem definiu os valores por parte da empresa? O senhor pediu o recurso para um dos sócios?

Mainardi: Não falei com os sócios. Eu pedi por intermédio de meu amigo James Cleary, que é executivo da JBS e convive pessoalmente comigo há muito tempo. Isso, aliás, é público em Bagé. O apoio do James e o respeito que angariei no setor por conta de minha gestão como secretário da Agricultura pode explicar a decisão de aportarem os R$ 500 mil para a minha campanha.

 

5 – Houve algum pedido de contrapartida por parte da empresa?

Mainardi:  Nenhum, nem antes nem depois da contribuição. Eu fui secretário de Agricultura, com uma gestão bem avaliado por todo o setor. Isso me fez conhecido, evidentemente. Mas não houve nem poderia haver pedido de contrapartida. Se houvesse, não teria aceito o dinheiro. Valorizo minha autonomia e independência.

 

6 – O senhor recebeu alguma parte do dinheiro através do chamado “caixa 2”?

Mainardi: De forma alguma. Já falei e repito. Toda as contribuições para a minha campanha estão em minha prestação de contas. O irônico é que agora posso, inclusive, estar pagando por isso, porque o valor parece mais alto do que o de outros. Mas eu fiz questão de declarar 'tim tim por tim tim'.

 

7. O que pensa da prática de empresas como a JBS, que contribuem para partidos diferentes e candidatos que pensam o oposto?

Mainardi: É uma prática induzida pelo sistema político e eleitoral brasileiro. Veja, no Brasil, a JBS contribui para a Dilma e para o Aécio, no RS, para o Sartori, para a Ana Amélia e para o Tarso. Aqui em Bagé, para mim, e para outros politicos. Em todos os lugares é assim. Todos recebem. A diferença é que alguns recebem na luz do dia e outros não.

 

8 – Estar respondendo a esses questionamentos lhe incomoda?

Mainardi: Sim, muito. Tenho uma trajetória política de mais de 30 anos. Toda ela vinculada a Bagé e não tenho nada a esconder. Os valores de minha campanha já havia sido publicado em jornais há dois anos e isso foi absolutamente natural e tranquilo, porque é assim que funciona e eu trato com toda a legalidade e transparência esse processo. Mas agora, ficou parecendo aqui em Bagé que eu tenho algo a esconder ou a explicar. Então, é claro que estou incomodado. Espero que isso sirva para esclarecer e diferenciar práticas políticas que existem em todos os lugares, inclusive aqui em Bagé.

 

9 – O Brasil inteiro vive uma grave crise política e de ética na política. O que pensa disso?

Mainardi: Estou entre aqueles que querem a limpeza do sistema político brasileiro. Luto por isso desde quando era estudante de Direito na Funba. O que não aceito é que as críticas e as ações judiciais e de mídia sejam apenas contra um partido ou contra um político em particular.  Recentemente, um juiz sequer quis ouvir denúncias contra o Aécio e agora se descobre que ele tinha um esquema de propina que envolvia todo o Brasil, porque comprou partidos para lhe apoiar do Oiapoque a Bagé. Estou preocupado. Acho que a turma que assumiu o governo com o Temer não tem nada de novo a propor ao Brasil a não ser reformas que tiram direitos do povo. Peço que todos fiquem muito atentos. Por trás de denúncias sistemáticas, pode ter só a vontade de esconder os verdadeiros corruptos e ladrões. 

 

 

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