ANO: 25 | Nº: 6353

Márcia Dilmann Sousa

marciasifa@hotmail.com
29/05/2017 Márcia Dilmann Sousa (Editorial)

A política pelo mundo virtual

Cada começo de semana é uma incógnita para os brasileiros sobre o que vai ocorrer ou não no meio político em Brasília. Tudo o que acontece no centro do poder implica direto no andamento do País. A rapidez dos acontecimentos faz com que a notícia de hoje seja esquecida amanhã porque um novo fato toma conta das manchetes. A pessoa não tem mais tempo de assimilar, de refletir e de tirar suas próprias conclusões a cerca de um fato, pois logo surge outro e assim a enxurrada de informações que se recebe diariamente fica no campo da superficialidade. E nesse contesto entra o uso exacerbado do Facebook, em que a agressividade e o exagero são a regra. Com o advento das redes sociais e a crise moral, ética e política instaladas no País, essa ferramenta serve para insuflar os ânimos daqueles que ainda se dizem de esquerda e de direita. No Facebook impera a velocidade em detrimento dos fatos apurados, o julgamento precipitado, comentários que mancham vidas e um dos piores males do século, que é a intolerância. Não é por nada que o renomado escritor e filósofo falecido Humberto Eco, em declaração durante um evento em que recebeu o título de doutor honoris causa em Comunicação e Cultura, na Universidade de Turim, na Itália, afirmou que as redes sociais dão direito à palavra a uma "legião de imbecis". Embora muitos não tenham gostado da afirmação, ela se aplica muito aos tempos atuais. A forma como muitos utilizam essa ferramenta e tiram tudo do contexto só serve para fomentar mais a violência e a agressividade, como se viu na semana passada em Brasília, durante os protestos em que grupos de militantes destruíram prédios públicos. As manifestações nas redes sociais são importantes para a construção da democracia, desde que de forma responsável e racional e não pela raiva motivada pela famigerada ideologia partidária. O Brasil precisa de um projeto de futuro que vá além do sangue nos olhos de quem se diz ainda de esquerda e de direita.

 

 

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