ANO: 24 | Nº: 6161

Rochele Barbosa

rochelebarbosa@gmail.com
Jornalista formada pela Universidade da Região da Campanha. Responsável pela produção e reportagem do caderno de Saúde do Jornal MINUANO
29/05/2017 Caderno Minuano Saúde

Como evitar quedas de idosos em casa e consumo errado de medicamentos

Foto: Divulgação

Idosos consomem cerca de quatro medicamentos diferentes
Idosos consomem cerca de quatro medicamentos diferentes

Quedas e as consequentes lesões resultantes constituem um problema de saúde pública e de grande impacto social enfrentado hoje por todos os países em que ocorrem expressivo envelhecimento populacional. As quedas acontecem devido à perda de equilíbrio postural, e tanto podem ser decorrentes de problemas primários do sistema osteoarticular e/ou neurológico quanto de uma condição clínica adversa que afete secundariamente os mecanismos do equilíbrio e da estabilidade.

Quedas em casa e o consumo errado de medicamentos são alguns dos principais fatores que colocam em risco a segurança do idoso. A situação é tão grave que a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou, no dia 29 de março, uma iniciativa global para reduzir em 50% os danos graves e evitáveis associados a medicamentos em todos os países nos próximos cinco anos. A estimativa é de que o custo associado aos erros de medicação seja de US$ 42 bilhões por ano ou quase 1% do total das despesas de saúde. Apenas nos EUA, os erros de medicação causam pelo menos uma morte todos os dias e prejudicam aproximadamente 1,3 milhão de pessoas anualmente. A dosagem errada de um remédio ou o horário incorreto pode prejudicar o tratamento, pois cada fármaco tem uma ação específica. A dose e o horário têm uma grande importância para atingir o efeito desejado.

Nesta edição, a médica Alice Fernandes, da Clinipampa de Bagé, e a especialista de Qualidade e Segurança, do Hospital Mãe de Deus, de Porto Alegre, enfermeira Michele Malta, irão descrever esses fatores e dar dicas para evitar essas situações.

Como prevenir essas situações

A queda pode ser um evento sentinela, sinalizador do início do declínio da capacidade funcional ou sintoma de uma nova doença, afirma a médica Alice Fernandes.

Conforme explica Alice, que procurou um conceito abrangente, queda é o deslocamento não intencional do corpo para um nível inferior à posição inicial com incapacidade de correção em tempo hábil, determinado por circunstâncias multifatoriais comprometendo a estabilidade.

A queda é o mais sério e mais frequente acidente doméstico que ocorre com os idosos e a principal etiologia de morte acidental em pessoas acima de 65 anos.

A médica conta que a prevenção da queda é de importância ímpar pelo seu potencial de diminuir a morbidade e a mortalidade, os custos hospitalares e o asilamento consequente. "Os programas de prevenção têm a vantagem de, paralelamente, melhorar a saúde como um todo, bem como a qualidade de vida, sendo sua prática especialmente importante para a faixa etária mais idosa", completa.

A especialista Michele complementa que no caso das quedas, o cenário é preocupante porque aproximadamente 30% dos idosos caem no Brasil, 50% destes ficam com a mobilidade reduzida e de 5 a 10% têm alguma fratura. As quedas são mais comuns a partir dos 65 anos e se acentuam a partir dos 75 anos. As mulheres caem mais do que os homens por causa da osteoporose. A OMS registra um milhão de fraturas de fêmur de idosos no mundo, e 90% destas fraturas são causadas por quedas. Estudo nacional incluindo 6.616 idosos, moradores em áreas urbanas de 100 municípios de 23 estados brasileiros, mostrou que a prevalência de quedas variou de 18,6% na região Norte a 30% no Sudeste.

A enfermeira afirma que para prevenir esses problemas, o hospital costuma orientar os familiares sobre como manter a casa segura para evitar quedas e também sobre providências para facilitar o consumo correto dos medicamentos. "Temos estabelecido um plano de cuidados durante a internação e médicos, enfermeiros e farmacêuticos também realizam orientações na alta", conta.

 

Como tornar a casa mais segura e evitar quedas:

- Retirar tapetes;

- Utilizar calçados com solados antiderrapantes;

- Fazer revisão periódica com um oftalmologista e utilizar óculos de grau, se indicado;

- Realizar exercícios para o fortalecimento muscular;

- Manter o chão sempre seco e firme;

- Para aqueles que utilizam andadores e bengalas, que tenham estes dispositivos sempre próximos;

- Manter os ambientes adequadamente iluminados.

 
As quedas mais comuns:

- Escorregar no banheiro;

- Tonturas ao levantar-se;

- Tropeçar em tapetes.


Alternativas:

Exercícios físicos

A implementação de um programa de exercícios físicos que melhore a força muscular e o equilíbrio, orientado de forma individualizada por um profissional capacitado, é capaz de reduzir o risco de quedas. Esse tipo de intervenção também se revelou eficaz na prevenção de lesões provocadas por quedas em idosas institucionalizadas e em idosos mais frágeis, com deficit de força muscular e de equilíbrio. Entretanto, apesar dos benefícios comprovados, tipo, duração e intensidade de exercícios necessários para diminuir esse risco ainda não estão estabelecidos.

Correção dos fatores de risco ambientais

Apesar de um conceito superestimado da importância dos fatores de risco ambientais na indução de quedas, são poucos os estudos consistentes nesta área. As evidências atuais revelam que a intervenção sobre esses fatores, quando realizada por profissional especializado, pode prevenir quedas em idosos com história prévia. Para esses pacientes com episódio prévio de quedas, o uso de barras de apoio foi considerado uma medida útil em um estudo caso-controle envolvendo 270 idosos.

Tai Chi Chuan

A prática do Tai Chi Chuan pode prevenir quedas em idosos relativamente saudáveis da comunidade, assim como naqueles sedentários, com melhora do equilíbrio.

Correção visual

Embora o deficit visual seja um fator de risco estabelecido para quedas, não há estudos controlados e randomizados com esta intervenção isoladamente que comprovem sua efetividade na redução da incidência de quedas, com exceção para a primeira cirurgia de catarata.

 

Uso de medicamentos

No Brasil, 70% dos idosos possuem pelo menos uma patologia crônica, ou seja, necessitam de tratamento farmacológico e uso regular de medicamentos.

Pesquisas apontam que 56,6% dos idosos possuem receitas com mais de quatro medicamentos de uso contínuo. O fato é que os idosos são mais suscetíveis aos efeitos colaterais dos medicamentos, que podem, inclusive, incrementar patologias já existentes. Portanto, um bom gerenciamento do cuidado é um elemento imprescindível na abordagem da saúde do idoso. Por isso, é importante ressaltar que só um médico capaz de avaliar de forma ampla o idoso, fazer o acerto da dosagem necessária e evitar os agravos de patologias existentes ou o início de outras manifestações causadas pelos medicamentos.

 

Como diminuir os riscos do consumo errado de medicamentos em casa:

- Guardá-los em local apropriado, seco e ao abrigo da luz. Banheiro não é um bom local;

- Utilização de tabelas para horários e doses;

- Utilização de separadores de medicamentos para evitar trocas;

- Uso de aplicativos de lembretes de horários dos medicamentos para evitar o esquecimento.

 
Alguns fatores de risco

- Comprometimento físico progressivo;

- Presença de incapacidade funcional;

- Visão ruim;

- Uso de medicamentos que alteram a capacidade sensorial.

 

Convite

A diretoria da Associação Brasileira de Odontologia (ABO) de Bagé convida profissionais da saúde bucal a participar da palestra: Maio vermelho - prevenção e diagnóstico precoce do câncer de boca.

O evento ocorre hoje, às 19h30min, na sede da ABO, na avendia Sete de Setembro, 245.

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