ANO: 24 | Nº: 6014

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
30/05/2017 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Como tem chovido nos últimos dias

Tantos dias de chuva, muitas e muitas horas sem a presença visível da luz solar podem interferir em nosso humor?

Tenho ouvido muito esta pergunta. Minha resposta depois de um pouco de reflexão: sim.

Não somos tão imunes como gostaríamos à ausência do sol. Aos poucos vamos ficando mais suscetíveis à irritação, frustração, impaciência, desesperança, falta de ânimo e à ansiedade, para citar apenas algumas das emoções perturbadoras que afloram quando algo foge ao esperado e surpreende negativamente.

Sim, a ausência prolongada de sol interfere em nosso humor. E esse fato não se deve ao acúmulo de roupas sujas dentro do cesto, ao insistente mofo que pode surgir nos lugares mais inusitados da casa, à umidade que vai invadindo e manchando as paredes e pisos, aos planos de passeio ao ar livre que tiveram que ser adiados ou adaptados, nem, tampouco, me refiro ao estresse das crianças e dos animais domésticos dias a fio confinados, sem a possibilidade da liberdade do céu aberto, ou outras tantas pequenas irritações derivadas de banhos de chuva não programados entre sair do carro e entrar em casa ou no trabalho. Não, nada disso. Não creio que nenhum desses insignificantes detalhes possam nos irritar. Também não me refiro às pesquisas que demonstram índices maiores de depressão nos países pouco expostos à incidência da luz solar e sua relação com a produção ou absorção deficitária de neurotransmissores responsáveis pela sensação de esperança, prazer e felicidade.

Refiro-me à surpresa, ao inesperado, ao que não queremos lidar. Como o fato de que, sim, as estações não são tão organizadas como aprendemos, nem sempre faz frio no inverno, a primavera pode não chegar em setembro e, pior, ela pode ser chuvosa e fria como se fosse inverno.

Como assim? A previsão do tempo não é tão confiável? Como assim? Quer dizer que o mundo pode ter uma ordem caótica, aleatória e contraditória a tudo que acreditamos ou esperamos, e não é só para nos irritar? Como assim? As pessoas prometem e não conseguem cumprir? Confiamos e nos enganamos? Escolhemos e erramos?

O que parecia certo, agora é evidentemente equivocado? Quem amamos tem outras prioridades? Algo aparentemente simples pode não ter solução? Como assim? Como assim?...

É dessa forma que vejo o quanto vários dias consecutivos de chuva podem interferir no nosso humor, servindo para sinalizar que a vida é algo que independe de nossa vontade e caprichos egoístas. Os fatos são frustrantes e alheios a nossos planos. Prever, planejar e programar pode alterar, sim, o humor de qualquer um se não houver habilidade para formular o plano b,c,d,e,f...

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