ANO: 25 | Nº: 6310
01/06/2017 Campo e Negócios

Competitividade da lavoura orizícola brasileira é debatida em palestra da Semana Arrozeira

Foto: Divulgação

Barata destacou a posição do Brasil no mercado internacional
Barata destacou a posição do Brasil no mercado internacional

Ações necessárias para manter a competitividade do arroz brasileiro no mercado internacional foram abordadas na segunda noite de palestras da Semana Arrozeira, que ocorre em Alegrete, no CTG Aconchego dos Caranchos, promovida pela Associação dos Arrozeiros do município. Com o tema "Comercialização, Exportação e Logística", as palestras foram realizadas na última terça-feira pelo gerente comercial do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Tiago Barata, e pelo gerente do projeto Brazilian Rice, Gustavo Ludwig. O debatedor da noite foi o presidente da Câmara Setorial do Arroz, Daire Coutinho.

A posição destacada do Brasil no mercado mundial de arroz foi ressaltada por Barata. O dirigente afirmou que o País é o maior produtor e consumidor de arroz fora da Ásia, e nos últimos anos está conseguindo suprir a demanda interna, ter excedente para exportação e ainda absorver parte do excedente dos países do Mercosul. Porém, ele salientou que são necessárias ações para garantir a competitividade do produto brasileiro. "Entre outros itens, o custo de produção muito elevado é o fator que mais tem tirado a condição competitiva", observou.

Segundo Barata, o Brasil é o país que tem o custo de produção mais caro do mundo e ao mesmo tempo o arroz mais barato nas gôndolas dos supermercados. Conforme o gerente comercial, o levantamento do Irga projeta, até agora, um custo de produção superior a R$ 7 mil por hectare. Ele destacou que, considerando o custo médio de produção calculado pelo Irga, com a produtividade média do Estado e os preços médios até então obtidos, o produtor de arroz acumula um prejuízo de quase 69 sacos por hectare nos últimos 13 anos. "Hoje é preciso colher mais para cobrir os custos de produção", disse.

Na avaliação de Barata, é preciso quebrar paradigmas e rever o sistema de produção. Ele ressaltou a necessidade de planejamento em relação ao tamanho das lavouras, a questão financeira e a importância em buscar independência comercial, citando, por exemplo, a capacidade de armazenamento na propriedade, o que diminuiria o custo logístico. Quanto à cadeia produtiva, governo e entidades, o dirigente citou ações necessárias. "É preciso desenvolver tecnologias que agreguem baixo custo, produtividade e qualidade, garantir um seguro de produção e renda, assim como infraestrutura e logística, além de incentivar o consumo e fomentar a exportação", salientou.

O gerente comercial do Irga também destacou, em sua palestra, a importância da Fronteira Oeste na produção gaúcha de arroz, lembrando que a região representa cerca de 30% da safra total do Estado, que neste período de 2016/2017 ficou em quase 8,8 milhões de toneladas. "A região produziu, este ano, 2,7 milhões de toneladas, volume 6% superior à produção do Uruguai e da Argentina juntos", ressaltou.

Barata também abordou a questão dos preços e disse acreditar que depois de uma forte desaceleração já existem sinais de recuperação. Ele lembrou que o saldo da balança comercial começa a reduzir, diminuindo a diferença entre exportação e importação, e há projeção para maio de um pequeno superavit. "Nós somos competitivos basicamente pelo preço do produto no mercado interno, taxa de câmbio e preços dos concorrentes, e, hoje, com o dólar valorizado, se ganha condição de competitividade. Se esses fatores se mantiverem, a tendência é continuar tendo condição competitiva", garantiu.

Ludwig afirmou que o Brasil já tem uma imagem consolidada como exportador de qualidade. Ele destacou que o projeto Brazilian Rice existe desde 2012 e é um convênio entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz). A iniciativa, conforme o gerente do projeto, tem por objetivo promover as exportações de arroz beneficiado e derivados e firmar a imagem do País como um player reconhecido no mercado internacional.

Atualmente, 30 empresas participam do projeto e em 2016 elas exportaram para 56 países, principalmente Cuba, Peru e Senegal. "Vale ressaltar que os Estados Unidos também estão se tornando importantes importadores por reconheceram a qualidade de cocção do arroz brasileiro. O crescimento das vendas para o mercado norte-americano está entre 8% e 10%. A Arábia Saudita também começa a se destacar com foco no arroz parboilizado," observou Ludwig.

Entre as ações do projeto Brazilian Rice, estão a capacitação das empresas, rodadas de negócios e, preferencialmente, as feiras internacionais. Segundo Ludwig, as maiores feiras de alimentos do mundo são a Sial, em Paris, e a Anuga, na Alemanha, mas a Gulfood em Dubai, também começa a se destacar. "O número de participações das empresas do projeto em feiras internacionais aumentou de 13 para 20 em quatro anos. No ano passado, elas representaram 34% das exportações globais do País", comentou.  

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