ANO: 25 | Nº: 6255

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
01/06/2017 João L. Roschildt (Opinião)

Idealismos

Qual o preço do ocaso da razão? E quais as consequências práticas de não se compreender adequadamente um objeto de estudo? Para tentar responder a estas duas perguntas, é interessante estudar o papel desempenhado pela intelligentsia. Esse corpo de pensadores, supostamente abençoados pela graça de modelos teóricos ideais que nunca encontraram exemplos práticos que possam corroborar suas teses, é composto de juristas, políticos, professores universitários, jornalistas, comunicadores sociais e toda a espécie de "profetas". Anunciam a boa nova, dizem que um outro mundo é possível e acreditam no paraíso na Terra, mesmo negando toda a tradição religiosa ocidental. Creem na perfeição do homem. Aos seus olhos, Jean-Jacques Rousseau estava certo quando asseverou que o homem nasce bom, mas é a sociedade que o corrompe. Desconsideram os vícios e virtudes que compõem a natureza humana. Acreditam piamente que basta uma correta engenharia social para que os indivíduos possam se livrar dos males gerados por uma sociedade dividida entre opressores e oprimidos (no melhor estilo de Karl Marx).

Titi Müller, apresentadora (e declarada feminista) do Multishow, após viajar por mais de 30 países, declarou em uma entrevista para o jornal O Globo: "Ainda não conheci um lugar onde as mulheres se sintam seguras andando sozinhas tarde da noite na rua", sendo que seu sonho é visitar um país em que a segurança para mulheres seja total. É a expressão pura do idealismo. É a ausência de conexão com a realidade. É o desconhecimento dos vícios horríveis que alguns homens possuem. E é a crença na possibilidade de redenção em um mundo perfeito sem crimes... que nunca existiu! Ou seja, Jean-Jacques, Karl e Titi gozam do prestígio de criarem uma retórica esteticamente bela, mas apartada do real.

Nada muito distante de uma das pérolas de Dilma Rousseff. Em setembro de 2014, a ex-presidente criticou, na véspera da Assembleia Geral das Nações Unidas, os ataques dos EUA ao Estado Islâmico (EI) na Síria e no Iraque, acrescentando que "o Brasil sempre vai acreditar que a melhor forma é o diálogo". Quem sabe um café com a ex-presidente? Mesmo que Dilma tenha negado tal intenção (dialogar com o EI), o registro da frase e a política externa brasileira da época do PT abrem margens para tal afirmação. E tudo isso na mesma toada de uma declaração da porta-voz do Departamento de Estado do governo Obama. Em 2015, Marie Harf disse que não se poderia vencer a guerra contra o EI somente matando os seus membros: "Precisamos... ir atrás da raiz dos problemas que levam as pessoas a se juntarem a esses grupos, seja a falta de oportunidades de empregos...". Será que alguém acredita que o desemprego é fonte de aliciamento para o EI? O idealismo e a desconexão com a realidade são presenças doentias entre progressistas. Aliás, o EI enviou uma mensagem, no ano de 2014, à Itália e ao Vaticano, prometendo conquistar Roma, despedaçar as cruzes (algo em comum com feministas) e escravizar as mulheres italianas. Tudo facilmente resolvido pelo diálogo e por uma política de empregos?

A intelligentsia encanta pelo seu belo discurso. Arroga-se portadora dos melhores predicados morais. Propõe inúmeras soluções. Tem fé no racionalismo da salvação terrena. Mas é vazia de significado, irreal e não passa pelos testes da razão.

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