ANO: 25 | Nº: 6257
02/06/2017 Campo e Negócios

Arrozeiros podem explorar crescimento do mercado sem glúten

Foto: Divulgação

Priscila Bassinello:
Priscila Bassinello: "A tendência que percebemos é que 15% dos consumidores brasileiros adoram alimentos sem glúten”

O consumo do arroz foi tema da quarta noite de debates da Semana Arrozeira, na programação que ocorre no CTG Aconchego dos Caranchos e é promovida pela Associação dos Arrozeiros de Alegrete. Com o tema "Novos Horizontes Para o Consumo do Arroz", os debatedores falaram sobre as oportunidades que podem chegar ao consumidor e das formas de promoção de produtos feitos a base do grão. Além disso, foram apresentados casos de sucesso nesta alternativa.

A pesquisadora da Embrapa Arroz e Feijão, Priscila Bassinello, explicou que dentro dos alimentos básicos do consumo do brasileiro, o arroz tem versatilidade e consegue se adequar às diferentes preferências do consumidor. Falou, também, sobre a importância do grão para a segurança alimentar e nutricional do País, que gasta, anualmente, conforme dados do Ministério da Saúde, cerca de R$ 458 milhões anuais. "Apesar de uma parcela da população do País sofrer com a desnutrição, por outro lado existe um crescimento de pessoas, inclusive jovens, com problemas de obesidade e doenças crônicas não transmissíveis", afirmou.

A especialista lembrou que um dos grandes problemas vem sendo a doença celíaca, no qual se estima que cerca de dois milhões de brasileiros sofrem com a reação imunológica ao glúten. Hoje, segundo Priscila, há um grande mercado para este público, especialmente pela imagem que passa de saúde e nutrição. "A tendência que percebemos é que 15% dos consumidores brasileiros adoram alimentos sem glúten, aos quais associam com a questão de saudabilidade", observou.

Uma pesquisa realizada na região de Goiânia mostrou que mais de 50% dos consumidores entrevistados da Classe A reduziram as compras de arroz, apesar de reconhecerem a importância do consumo do grão. Outro dado trazido é que a grande maioria ainda liga o produto à obesidade. "Entre as conclusões, observamos que os consumidores citam aspectos positivos ao consumir, porém expressam aspectos negativos, algumas vezes inclusive com colocações conflitantes e contraditórias", informou.

Sobre os derivados, a pesquisadora da Embrapa citou a farinha de arroz como uma das matérias-primas mais versáteis no uso na alimentação, sendo substituta de outros alimentos, 100% isenta de glúten, de fácil digestão e com baixo índice glicêmico. Priscila apresentou uma variabilidade de alimentos que podem ser produzidos com a farinha de arroz como pães, massas, sopas e até produtos lácteos. "Segundo a Glúten Free Brasil, houve aumento de mais de 400% do mercado sem glúten nos últimos 15 anos. Diversos estudos mostraram que é viável o uso da farinha de arroz inclusive na merenda escolar", afirmou.

Entre os problemas identificados estão o uso limitado da farinha de arroz, assim como uma resistência das empresas de panificação em utilizar o produto. Referendou que são necessários, também, ajustes de equipamentos e formulações de produtos. Para isso, é importante investimentos em publicidade e marketing e a qualificação de profissionais, como as merendeiras, para o desenvolvimento de novos produtos. "O tamanho deste mercado está em nossas mãos", disse.

Mediador da noite, o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Henrique Dornelles, avaliou que há uma preocupação em relação a estagnação do consumo de arroz no País. "Há tempos produzíamos 12 milhões de toneladas de arroz e continuamos produzindo isto, e o consumo per capta vem caindo. Mesmo estando estagnado, o Rio Grande do Sul aumenta sua relevância na produção de arroz do Brasil. Para nós gaúchos é essencial a pesquisa para criarmos um estímulo visando uma maior demanda pelo produto", enfatizou.

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