ANO: 25 | Nº: 6284

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
03/06/2017 Airton Gusmão (Opinião)

O mistério de Pentecostes

“Todos ficaram cheios do Espírito Santo”. (At 2,4)

A origem da festa de Pentecostes vem do Antigo Testamento (Ex 24,13); era uma festa da alegria, do louvor, cinquenta dias após a Páscoa em que se oferecia a Deus os primeiros frutos da colheita. Mais tarde se tornou também a festa da renovação da Aliança. (Ex 19,1-16). No Novo Testamento, a festa de Pentecostes está relatada em várias passagens (At 2,1-13; Jo 20,19-23) e ganha um novo sentido enquanto plenificação e conclusão do Tempo Pascal. Assim, a celebração de Pentecostes é a efusão do Espírito Santo prometida por Jesus na comunidade cristã reunida; marcando o início da Igreja e sua vocação à missão de anunciar o Evangelho através do testemunho da unidade.

A liturgia da Palavra deste domingo narra este fato e acentua estes dois elementos importantes na celebração de Pentecostes: unidade e missão.

Na primeira leitura (At 2, 1-16), os discípulos reunidos, após ficarem repletos do Espírito Santo, começaram a falar em várias línguas e eram compreendidos por todos. É uma narração simbólica de Lucas com a intenção de mostrar que a Igreja nasce de Jesus, é assistida pelo Espírito Santo e é chamada, a partir da unidade, a testemunhar o Evangelho. Esta narração contém uma verdade perene. Hoje, vivemos uma experiência em que a humanidade é capaz de realizar praticamente tudo. Com o avanço da técnica, da ciência, da comunicação, conseguimos obter informações de maneira fácil, transmitimos notícias com muita rapidez e isto nos faz bem. No entanto, parece que cada vez mais nos distanciamos uns dos outros, aumentamos a indiferença em relação àqueles que nada têm e até nos tornamos perigosos uns para com os outros. Como pode num mundo com tantas possibilidades, vivermos num ambiente cada vez mais radicalizado na discórdia e na violência? O progresso científico nos trouxe muitas possibilidades, mas será que isso fez do mundo um lugar mais fraterno e humano? Com certeza a resposta é negativa e por isso, neste domingo em que celebramos Pentecostes, precisamos pedir ao Senhor o dom da unidade, dom do Espírito Santo que nos dá um coração novo e uma capacidade nova de comunicar, não pautada na violência, no egoísmo, que só nos distancia, mas no amor e na esperança.

Por fim no Evangelho, os discípulos estavam fechados no Cenáculo por medo dos Judeus e tristes por tudo o que tinha acontecido na Sexta-feira Santa. No entanto, o Senhor pondo-se no meio deles, desejou-lhes a paz e soprou o Espírito Santo, dando vida nova à comunidade cristã. Hoje, quando não assumimos a experiência cristã como serviço, mas como poder, quando nos prendemos ao legalismo, quando agimos em benefício próprio, estamos como aqueles discípulos fechados à ação do Espírito Santo. Precisamos de cristãos corajosos, perseverantes no discipulado de Cristo, porque o sopro de Cristo dá vida nova, o Espírito Santo faz novas todas as coisas e é isto que desejamos para nós e para a Igreja, para que consiga cumprir fielmente sua missão de levar a todos a Boa Nova de Cristo. “A Igreja de Pentecostes é uma Igreja que não se resigna a ser inócua, elemento decorativo. É uma Igreja que não hesita em ir para fora, ao encontro das pessoas, para anunciar a mensagem que lhe foi confiada”(Papa Francisco).

Conforme o Papa Bento XVI, o mistério de Pentecostes é este: O Espírito Santo nos ilumina, nos revela Cristo, morto e ressuscitado e nos indica o caminho para sermos imagem e semelhança, expressão e instrumento do amor de Deus no mundo.

Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.   

 

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