ANO: 25 | Nº: 6386

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
07/06/2017 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Política da enganação

Recentemente, fomos surpreendidos com a mudança de opinião do governador Sartori sobre o tema do plebiscito para privatizar empresas públicas. Depois de quase um ano tentando aprovar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que suprimia da Constituição Estadual a exigência da consulta, passou a defender a sua realização ainda em 2017.

Não houve qualquer mudança na conjuntura do Estado que justifique essa mudança de posição. O que, então, explica essa súbita adesão à democracia participativa? Sustento que por trás da mudança radical está uma estratégia que não é dita, mas que sintetiza um pouco a forma como este governo faz política e se comunica com a comunidade, mentindo sobre a realidade e sobre os seus objetivos.

O governador não quer o plebiscito. Isso é evidente. Caso quisesse, teria encaminhado esse pedido para a Assembleia desde o início do debate sobre as privatizações. Ao contrário, encaminhou uma PEC para privatizar as empresas públicas longe dos olhos do povo.

Sem os votos necessários para aprovar a sua emenda de restrição à democracia, resolveu colocar no colo da oposição a responsabilidade por sua inércia conservadora. Ele sabe que não é possível aprovar o plebiscito para que se realize ainda este ano, mas força uma situação para estabelecer uma polarização falsa, tentando, em um lance de má-fé, solapar a imagem democrática dos partidos de oposição.  

A sugestão do plebiscito pelo governador nada mais é do que uma cortina de fumaça para que possa "surfar", no curto prazo, como corajoso e democrata e, no médio prazo, diminuir sua responsabilidade pela tragédia de seu governo.

Neste caso, Sartori está fazendo política na concepção mais negativa da palavra. Está a enganar, com vistas a obter dividendos políticos no presente e no futuro porque imagina que interesse ao seu projeto político e eleitoral diluir a discussão sobre o desenvolvimento e os serviços do Estado sob sua gestão, para discutir apenas se é correto privatizar três empresas públicas.

Isso é o que chamamos a política da enganação, que se afasta do conteúdo de programas e projetos e se esconde em pequenas artimanhas para fortalecer o seu time no jogo político, sem se preocupar com o povo ou com as consequências de suas políticas. É assim que faz também, mentindo sobre a falta de recursos para pagar o funcionalismo em dia.

Vamos fazer o plebiscito em 2018, junto com a eleição. E, assim, decidir não apenas sobre a venda ou não dos ativos do Estado, mas sobre o seu governo como um todo, cobrando cada centavo que ele deixou de investir em educação, saúde e segurança pública, preocupado que estava em enganar e privatizar. 

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