ANO: 25 | Nº: 6261

João L. Roschildt

joaoroschildt.jornalminuano@outlook.com
Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
08/06/2017 João L. Roschildt (Opinião)

Falácia peniana

Aos leitores que ficaram curiosos com o título, imaginando que essa poderia ser uma coluna erótica, declaro que não existirão menções sexuais nas próximas linhas. Mas aqueles que desejam compreender a dinâmica dos movimentos de massa revolucionários e contrários ao legado civilizatório ocidental, talvez verifiquem alguns fatos interessantes. Portanto, um aviso aos mais sensíveis: as linhas abaixo estão saturadas de falta de pudor e de perversão intelectual.

Nos últimos dias, a mídia internacional divulgou amplamente a publicação do seguinte artigo acadêmico: “The conceptual penis as a social construct” (O pênis conceitual como uma construção social). Qual a ideia externada? No referido artigo, de Peter Boghossian e James Lindsay, divulgado pela revista Cogent Social Sciences (aprovado por dois professores “experts” que leram o artigo, recomendaram sua publicação mediante pequenos ajustes para torná-lo melhor e elogiaram muito o mesmo), é defendida a seguinte perspectiva: os pênis causam mudanças climáticas! Os autores ainda afirmaram que o órgão masculino é problemático, é uma construção social (não biológica – o que faz com que na primeira página seja declarado que diversas mulheres possuem pênis), acrescentaram um conjunto de jargões e termos sem sentido (os homens são “hipermasculinos dentro e fora ao mesmo tempo em certos discursos”), criaram frases vinculadas a causas de esquerda (“pré-pós-sociedade-patriarcal”) e asseveraram que um homem que senta com as pernas abertas é algo “semelhante a estuprar o espaço vazio ao seu redor”.

Todavia, o artigo foi elaborado com o propósito de demonstrar como a comunidade acadêmica incensa determinadas posturas ideológicas em detrimento da busca pela verdade e pelo respeito à lógica. Em suma, os autores prepararam um artigo absurdo de forma deliberada para verificar se alguma revista acadêmica aceitaria tais asneiras. Por óbvio que foi aceito! Afinal, o universo acadêmico é dominado por uma visão de mundo progressista em que todas as bandeiras que buscam exterminar os traços ocidentais caminham a passos largos e de mãos dadas. E é este tipo de produção intelectual que domina o campo da filosofia, da sociologia, do direito... Copiando Jarbas Passarinho, afinal, o modelo ditatorial é o mesmo (ou pior): “Às favas com os escrúpulos de consciência”.

A situação descrita é um êmulo do famoso caso do físico Alan Sokal. Em 1996, Sokal encaminhou um artigo para a revista de esquerda Social Text em que afirmava basicamente que a realidade física era uma construção social e linguística, seguindo a perspectiva do uso de termos ideologicamente marcados que seguem as bandeiras progressistas (de esquerda). Resultado? O artigo foi publicado.

Mas o universo conspira. Gloria Steinem, glorificada ícone feminista, declarou em uma entrevista (09/05/2017) que “se não estivéssemos forçando sistematicamente mulheres a ter filhos que não querem ou não podem cuidar durante os 500 anos de patriarcado, não teríamos os problemas climáticos que temos. Essa é a causa fundamental da mudança climática”. A falta de abortos gerou problemas climáticos! Existe maior pornografia intelectual do que esta declaração? E quanto à perfídia intelectual da revista que aceita um artigo absolutamente insano? Em nome da causa, até o pênis é culpado...

Deixe seu comentário abaixo

Outras edições

Carregando...