ANO: 24 | Nº: 6137

Fernando Risch

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Escritor
09/06/2017 Fernando Risch (Opinião)

O Brasil precisa de eleições diretas

   A democracia brasileira é 'uma criança', tem 32 anos; a Constituição Federal, esta que dita os preceitos máximos de cidadania, deveres e direitos da nossa sociedade, esta a qual nos agarramos para afirmar e reafirmar o que deve ou não deve ser feito, também é jovem, tem praticamente a minha idade, 28 anos.
Quando a Constituição foi composta, pela Assembleia Nacional Constituinte, encabeçada pelo grande Ulysses Guimarães, se pensaram em todos os cenários possíveis, todas as hipóteses em que o Brasil, como nação, poderia chegar. Assim, criaram-se os mecanismos e soluções para tais cenários.

   Nestas hipóteses, por exemplo, por o Brasil estar saindo de um regime autoritário militar na época, estabeleceu-se que tortura e ações armadas contra o estado democrático e a ordem constitucional são crimes inafiançáveis, para que a demência de 21 anos de estado de exceção autoritário jamais se repetisse.

   Assim, logo que elegemos nosso primeiro presidente, Fernando Collor, já lhe aplicamos o impeachment, como em um teste da nossa nova lei suprema, mostrando que agora sim, não haveria desrespeito nessa República. Deu certo. O sucessor, Itamar Franco, estabilizou a economia nos anos seguintes e o processo democrático andou bem, com Fernando Henrique, Lula e Dilma - até certo ponto.

   Até certo ponto porque, mesmo quando se pensou em todas as hipóteses em que o Brasil poderia se meter, ninguém imaginaria, em 1988, um cenário como o atual. Uma realidade política tão estapafúrdia que nem os roteiristas de House of Cards conseguiriam escrever – e se escrevessem, diríamos que a situação retratada na ficção era impossível de acontecer na vida real.

   Bradar que aprovar uma emenda constitucional para eleições diretas a esse ponto, caso Michel Temer caia, sendo algo que fere nosso estado democrático – ou até mesmo a Constituição – é absurdo. Ninguém, em 1988, imaginaria que o Brasil seria dirigido por um governo sem representatividade e por um Congresso – instituição responsável no desígnio indireto do novo presidente – estando em conluio com tal governo e sujo até acima do pescoço, com a população à margem de tudo, sem poder de decisão.
 
   O Brasil passou – e passa – por momentos difíceis e a culpa é de todos, sem exceção. Cumprir uma eleição indireta em uma possível queda de Temer é mero formalismo para manter a falta de legitimidade de um governo sem o aval do voto popular. Os tempos imprevisíveis em que vivemos gritam por novas eleições e pela constitucionalidade de uma emenda que permita isso, para suprir as necessidades que vivemos e para que o povo decida a pessoa que nos levará por essa turbulência, que parece não ter fim, até outubro de 2018. 

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