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10/06/2017 às 19h53 Cidade

Bajeense dá vida a Leonel Brizola no filme "Legalidade"

Foto: Tiago Rolim de Moura

Mais do que um ídolo, Leonel Brizola também foi um amigo e companheiro político de Sapiran Brito. E agora, aos 72 anos, o bajeense também acrescenta à lista a personificação do icônico político gaúcho, ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro. No filme "Legalidade", ele interpreta Brizola, já próximo do fim da vida.

O movimento da Legalidade, ou campanha da Legalidde, foi uma mobilização civil e militar, liderada por Brizola, que ocorreu durante 14 dias no Sul e Sudeste do País, após a renúncia de Jânio Quadros à presidência do Brasil. A campanha defendia a manutenção da ordem jurídica, que previa a posse de João Goulart. No longa-metragem, o ator é dirigido pelo filho, o diretor Zeca Brito. Ele conta que a ideia do filme surgiu há cerca de oito anos, justamente na sala em que se instalou confortavelmente para conceder a entrevista para o Jornal MINUANO.

"O José (Zeca) conheceu o Brizola porque ele nos acompanhava nos compromissos políticos. Mas ele só se interessou pelo movimento da Legalidade há uns oito anos, quando estávamos conversando e falei sobre a importância daquele período, que foi o último levante na rua para defender a democracia. Acontece que após 20 anos de um período obscurecido pela ditadura, acabou sendo esquecido”, contou.

Foi então que entregou ao filho um exemplar do livro "A Legalidade", de Joaquim Felizardo. Após a leitura, Zeca se interessou pelo tema e passou a pesquisar mais sobre o movimento, para construção do argumento do filme. Como o próprio Brizola teve papel central na Legalidade, é um dos personagens centrais, interpretado também por Leonardo Machado, que divide a tela com os atores José Henrique Ligabue e Fernando Alves Pinto, que interpretam dois irmãos envolvidos no movimento e apaixonados pela mesma mulher, interpretada por Cléo Pires.

Brito destaca que sua escalação para um pequeno papel no longa, como Brizola já em idade mais avançada, se deu devido a sua similaridade física com o político. "Não fui escalado por ser pai do diretor, mas porque me pareço com ele. Não foi difícil compor o personagem porque convivi quase 40 anos com ele. Bastou introjetar as lembranças que eu tinha dele e tentar transmitir isso como ator", destacou.
O bajeense contou, ainda, que dentro do set, o filho é quem manda. Marilu Teixeira, mãe de Zeca e companheira de Sapiran, também faz parte do elenco. "Não tem hierarquia familiar porque é um ambiente muito profissional, inclusive, eu chamo ele de patrão, ele que manda. Claro que nós conversamos muito, até discutimos, eu dou a minha opinião, mas é um ambiente muito tranquilo", disse ele, que já figurou em outros filmes dirigidos pelo filho, embora nunca em papel central.

Leonardo Machado é responsável por interpretar o gaúcho durante quase todo o filme, mas nas cenas finais, cerca de 40 anos após o movimento da Legalidade, é Brito que dá vida ao ícone nas telas. "É uma participação pequena. Gravei umas oito horas, durante dois dias, para aparecer uns cinco minutos em cena", brincou.

As gravações aconteceram na última segunda e terça-feira, em Viamão, junto à Letícia Sabatella, que também participa da produção. "Foi uma grande experiência, principalmente porque será o primeiro filme a retratar o movimento da Legalidade no cinema", destacou.
"Uma das coisas mais incríveis para esta produção foi filmar dentro do Palácio (Piratini), que é um local histórico e fez parte do movimento. O governador (José Ivo Sartori) cedeu o Palácio para as filmagens todos os dias após às 18h e durante todos os finais de semana. Tivemos um grande apoio", comentou.

Rodado com o apoio do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), o filme deve chegar às telas em 2018, já que a pós-produção deve ocupar os próximos meses.

 

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