ANO: 25 | Nº: 6400
13/06/2017 Cidade

Santo Antônio entre as lendas e milagres

Foto: Tiago Rolim de Moura

Franciscano é um dos mais populares da Igreja Católica
Franciscano é um dos mais populares da Igreja Católica

Hoje os católicos celebram a festa do santo considerado por muitos o mais popular da Igreja Católica, Santo Antônio. Ele é conhecido como protetor dos pobres, o que auxilia na busca de objetos ou pessoas perdidas, o casamenteiro, o grande pregador. O fascínio por essa figura singular atrai não somente os devotos praticantes, mas até mesmo quem não frequenta a igreja, em função dos costumes e milagres atribuídos ao santo, e que não são poucos. Em Bagé não é diferente. Durante a trezena, a Paróquia Nossa Senhora da Conceição intensifica as orações e as celebrações eucarísticas em preparação para a festa de Santo Antônio, que culmina hoje com as missas e procissões, às 15h e 19h.

É durante a procissão que se percebe tamanha devoção em Bagé, pois mesmo à noite e com frio intenso, a participação dos fiéis é significativa, que depois da caminhada no entorno da Praça Silveira Martins participam da bênção com distribuição dos pãezinhos em frente à igreja.

Santo Antônio iniciou a exercer esse fascínio durante sua vida terrena, como pregador itinerante. Ele começou a ser venerado na Europa, nos conventos, eremitérios e igrejas. Depois, a paixão pelo franciscano se espalhou pelo mundo.

Casamenteiro

Mesmo que em vida o santo não tenha nenhuma passagem sobre o casamento em seus sermões, ficou popularmente conhecido como o casamenteiro por ajudar pessoas a entrarem em um relacionamento.

De acordo com o pároco da Igreja Nossa Senhora da Conceição, frei Álvaro Bordignon, a expectativa para as procissões e missas das 15h e 19h de hoje é reunir em torno de quatro mil pessoas.

Para o religioso, a popularidade de Santo Antônio se dá por milagres e relacionamentos a que lhe são atribuídos.

Durante os últimos 13 dias, o pároco realizou missas especiais, onde os famosos pães e fitas de Santo Antônio foram distribuídos para os fiéis. Este ano, também ocorreu a entrega de duas mil raspadinhas com exercícios espirituais e obras de caridade.

Pães bentos

Todos os anos, durante a trezena e no dia da festa, os pães de Santo Antônio são entregues aos devotos na Paróquia Nossa Senhora da Conceição. Segundo o frei Álvaro, neste ano foram oferecidos cerca de 1.600 pães por dia durante a trezena. A previsão para hoje é entregar cerca de 20 mil pães para aqueles que participarem das missas e procissões. O religioso conta que essa tradição começou com lendas onde o santo jamais deixava de oferecer pão a quem batia a sua porta.

Pregação aos peixes

Um dos milagres mais conhecidos do santo foi sua pregação aos peixes. Reza a lenda que Santo Antônio, em uma ocasião, pregava aos hereges e que estes não o quiseram escutar e viraram-lhe as costas. Sem desanimar, o santo vai até a beira da água, onde o rio conflui com o mar, e chama os peixes a escutá-lo, já que os homens não o querem ouvir. Diz que nesse momento aconteceu o milagre: multidões de peixes se aproximaram com a cabeça fora da água em atitude de escuta. Os hereges ficaram tão impressionados que logo se converteram.

Santo das coisas perdidas

Esta tradição é uma das mais antigas. Quando ensinava teologia aos frades, em Montpellier, na França, um noviço fugiu da Ordem levando o saltério de frei Antônio, com preciosas anotações pessoais que utilizava nas suas lições. O santo rezou pedindo a Deus para dar jeito de reaver o livro e foi atendido, pois enquanto o fugitivo ia passando por uma ponte, foi subitamente tomado pelo pavor, parecendo-lhe ver o demônio na sua frente que o intimava assim: “Ou você devolve o saltério ao frei Antônio ou vou jogá-lo da ponte para o rio!” Assustado e arrependido, o jovem voltou ao convento com o saltério e confessou ao santo sua culpa.

Além desses casos mais conhecidos, são atribuídos ao santo outros incontáveis milagres.

Vida e morte

O nome original de Santo Antônio era Fernando de Bulhões. Ele nasceu em 1195, em Lisboa, em uma família nobre e rica. Educado em Coimbra, tornou-se membro da Ordem de Santo Agostinho e foi ordenado sacerdote aos 25 anos. Em 1220, ele entrou na ordem dos franciscanos.

Antônio morreu no dia 13 de junho de 1231, nos arredores de Pádua, na Itália, com 36 anos de anos de idade. Foi sepultado numa basílica que se tornou lugar de peregrinação. Foi canonizado no ano seguinte pelo papa Gregório IX.

 

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