ANO: 23 | Nº: 5669

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
15/06/2017 João L. Roschildt (Opinião)

Comunistas comiam criancinhas?

Uma das principais críticas que os regimes comunistas receberam no século passado diz respeito a possíveis atos de canibalismo praticados contra crianças. Incrédulos e defensores das orientações marxistas afirmam que isso não passa de mito, ao passo que os críticos atestam que tais fatos foram verídicos.

Entre 1921 e 1925 a fome assolou a URSS; entre os anos de 1932 e 1933, o Holodomor (traduzido como “mortos pela fome” ou como “matar pela fome para morrer de fome”), uma tragédia brutal, devastou a Ucrânia pela falta de alimentos; e, entre as décadas de 1950 e 1960 a China sofreu com a fome. Nos dois primeiros casos, o grande arquiteto responsável foi Josef Stálin, ao passo que no caso chinês, Mao Tsé-Tung. E nas três situações, a miséria econômica e ausência de alimentos (provocados pela ingerência das ideias comunistas defendidas pelos respectivos líderes), gerou um elevado número de casos de pessoas que praticaram canibalismo infantil para sobreviver.

No início deste ano, o livro “Uy-siglo XX”, de Silvana Pera, conseguiu prender a atenção dos uruguaios quanto ao material didático utilizado em suas escolas. Nessa obra, a autora compara a maneira com que os Smurfs (célebres personagens do belga Peyo) organizam sua aldeia ao comunismo. E, assim, Pera define: “todos têm acesso à moradia. Ninguém passa fome. O poço de água é para uso coletivo, não é de ninguém e é de todos”. Para completar a miséria intelectual, na mesma página em que há uma ilustração da aldeia Smurf, há uma foto de Lênin. Nem é preciso muito esforço cognitivo para apontar o quanto a teoria do comunismo não corresponde às verdades práticas do comunismo. Ou há algum exemplo que ateste como correta a afirmação de que no comunismo tudo funcionou (ou funciona) de maneira perfeita?

Em maio do corrente ano, os portais progressistas G1 e BBC Brasil publicaram reportagem indicando que o livro “Comunismo para crianças” enfureceu a direita conservadora nos EUA. Qual a razão? Apesar da autora Bini Adamczak criticar o que ela denomina de comunismo autoritário (qual não foi?), como aquele praticado por Stálin, na obra é defendida a ideia de que o comunismo consegue livrar a sociedade de todos os males oriundos do capitalismo. Tudo isso contado através de “uma história de princesas invejosas, camponesas desalojadas, patroas malvadas e trabalhadoras cansadas”. Sem esquecer que o livro foi escrito com uma “linguagem infantil, que é mais simples e todo mundo entende”. O pudor da manipulação da realidade e a tentativa de criar uma linguagem esteticamente bela não encontra precedentes entre comunistas... nem preciso dizer que uma editora brasileira já manifestou interesse em fazer uma versão em português...

Algumas pessoas afirmam que o comunismo acabou com a queda do muro de Berlim ou mesmo que o Projeto “Escola sem Partido” é um delírio de indivíduos que acreditam na Guerra Fria. Esquecem-se (propositalmente ou por ignorância) do potencial revolucionário que o controle da cultura, desde a tenra idade, pode ofertar para suas agendas. O porco Napoleão, no livro anti-Stalinista “A revolução dos bichos”, sabia disso: retirou nove filhotes de cães de suas mães para transformá-los em guarda-costas sanguinários. Mas, afinal, comunistas comem crianças? No mundo contemporâneo, somente seus cérebros...

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