ANO: 23 | Nº: 5789

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
17/06/2017 José Artur Maruri (Opinião)

A missão brasileira

         O Brasil que, na psicografia de Francisco Cândido Xavier, é o “Coração do Mundo” e a “Pátria do Evangelho”, enfrenta um dos momentos mais críticos de sua história.

         Diante de um noticiário alarmante e que ressalta cada vez mais ações negativas como a corrupção e o desprezo pelo bem público, resta a seguinte pergunta: como Jesus foi deixar que a “Pátria do Evangelho” chegasse a tamanho caos?

         Para Allan Kardec, ainda no ano de 1862, as relações sociais, de indivíduo a indivíduo, de cidade a cidade, de país a país, podem ter dois móveis que são a negação um do outro: o egoísmo e a caridade.

         Com o egoísmo, segundo ele, prevalece o interesse pessoal, cada um vive para si, vendo no semelhante apenas um antagonista, um rival que pode concorrer conosco, que podemos explorar ou que pode explorar; aquele que fará o possível para chegar antes de nós: a vitória é do mais esperto e a sociedade – coisa triste de dizer, muitas vezes consagra essa vitória.

         Por outro lado, se substituirmos o egoísmo pela caridade tudo se modificará. Ninguém procurará fazer o mal ao seu vizinho; os ódios e os ciúmes se extinguirão por falta de combustível, e os homens viverão em paz, ajudando-se mutuamente em vez de se dilacerarem.

         Cabe citar a lição de Allan Kardec: “Se a caridade substituir o egoísmo, todas as instituições sociais serão fundadas sobre o princípio da solidariedade e da reciprocidade; o forte protegerá o fraco, em vez de o explorar”.

         Ora, apenas a predominância do sentimento de amor poderá destruir o egoísmo, levando os homens a se tratarem como irmãos e não como inimigos.

         A caridade é a base, a pedra angular de todo edifício social; sem ela o homem só construirá sobre a areia.

         Como dissemos, o Brasil vive um dos momentos mais críticos de sua história, mas como bem disse Allan Kardec, o espasmo agudo de um mal é sempre o sinal de que chega ao seu fim.

         Ainda nos dias em que Jesus esteve conosco vamos encontrar a resposta para a indagação dada logo no início, como bem refere o conferencista Haroldo Dutra Dias.

         “E aconteceu que, estando Jesus em casa, à mesa, muitos publicanos e pecadores vieram para cear com Ele e seus discípulos.  Quando os fariseus viram isso, perguntaram aos discípulos dele: ‘Por que ceia o vosso mestre com publicanos e pecadores?’ Mas Jesus, ouvindo, responde: ‘Os sãos não necessitam de médico, mas sim, os doentes”. (Mateus, 9-11)

         As palavras publicanos e pecadores foram perdendo o sentido ao longo dos anos, por isso é que, traduzindo para os dias atuais, Jesus estava – e está – a cear com os corruptos da vez que enchem de fatos tristes os noticiários brasileiros.

         O leme está nas mãos de Jesus e o Brasil ruma para solidificar-se como a “Pátria do Evangelho” – a missão brasileira. Estamos enfrentando os momentos derradeiros de um mal, justamente porque Jesus está a cear com os publicanos da modernidade sob o céu anil e Jesus, como ele mesmo disse, não veio para os sãos, mas sim para os doentes.

         Sejamos os construtores de um edifício social que tenha por base a caridade, propaguemo-la para que se transforme na fé, na religião da maioria, a fim de que nossas instituições se tornem melhores pela força das coisas.

         “Sem a caridade, não há instituição humana estável”. – Allan Kardec.  

         (Referências: Allan Kardec. Viagem Espírita em 1862. FEB Editora. p. 80; 83; 86)

 

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