ANO: 25 | Nº: 6384

José Carlos Teixeira Giorgis

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Desembargador aposentado e escritor
24/06/2017 José Carlos Teixeira Giorgis (Opinião)

As academias

Das visitas aos museus guardo duas preferências, embora as miradas na Mona Lisa, o Grito, o Enterro do Conde Ordaz, Van Gogh ou Monet, mas aprecio A menina na janela, de Dali; e a Escola de Atenas, expressiva pintura de Rafael posta num gabinete da Capela Sistina, onde o artista junta os dois blocos de seguidores de Platão ou Aristóteles, para significar os lados de “emoção” e “razão”, pregadas pelos pensadores.

Quando Platão retorna de Siracusa, por volta de 387 a.c., pretendendo dar corpo às metas traçadas em “A República”, usando o direito de cidadão ateniense adquire propriedade nas cercanias do rio Cefiso, a fim de instalar o que seria embrião de uma universidade de ensino formal e “onde as crianças seriam educadas comunitariamente pelo Estado, para formar filósofos governantes”. O edifício se situava em parque aprazível, com alamedas e jardins, enfeitado de estátuas, templos e sepulcros de homens ilustres, plantado com oliveiras, conhecido como “Akademos” ou “Hekademos”, em homenagem a herói ático.

O prédio tinha quartos para os discípulos e salas de aula onde Platão ensinava sua filosofia, além de também fazê-lo à sombra das frondosas árvores do sítio, enquanto Aristóteles lecionaria caminhando com os alunos, método denominado “peripatético”.

O recinto era fonte de novos saberes e de conhecimentos sistematizados, com regras de convívio prescritas em regulamento interno, onde se previa a continuidade da instituição depois da morte de Platão, o que aconteceu quando ele tinha 81 anos, sendo sucedido por Speusipo e não por Aristóteles que ambicionava o cargo. A Academia de Platão foi extinta no século VI quando fechada por Justiniano com o fito de abolir a cultura helênica e pagã.

A “Escola de Platão” abarcava toda humana ciência inclusive o domínio da matemática, difundindo-se através do vocábulo italiano “accademia” como “centro de estudos superiores”; lugar em que se ensinava arte; associação de caráter científico, cultural ou literário; ou o conjunto de membros dessa sociedade. O incentivo ao interesse pela filosofia fez aparecer, em 1464, a Academia Florentina ou “Ficiniana”, isso em homenagem a Marsílio Ficino e que abrigou Pico dela Mirandola, entidade que mais tarde, após encerrada por motivação política, reabriu apenas para estudos literários.

No século 17 surge a Academia Francesa, oficializada por Luís XIII em 1635, por insistência do Cardeal Richelieu e que fora criada para regulamentação da gramática francesa e publicação de um dicionário, reeditado periodicamente. É composta por 40 membros vitalícios, ou “imortais” que escolhem os novos integrantes. Em 1720 é fundada a Real Academia de História, em Portugal, e depois, em 1779 surge a Academia de Ciências de Lisboa, responsável, ainda hoje pelo Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea. No Brasil Colonial, em 1724, nasce na Bahia, por instâncias do visconde Sabugosa, a Academia Brasílica dos Esquecidos, direcionada aos avanços históricos e literários, pioneira no país e que funcionou por mais de duzentos anos. Seguem-se a Academia Brasílica dos Renascidos (1736), autora da primeira “História Militar do Brasil (Bahia, 1759); a Academia dos Felizes (Rio de Janeiro, 1736); Academia dos Seletos (Rio, 1752); Academia Científica (1772); Academia da Marinha (1808); Academia Médico-Cirúrgica do Rio de Janeiro (1813); Academia Médico- Cirúrgica da Bahia (1832, embrião das primeiras faculdades se medicina). E depois da Independência, as Academias de São Paulo e Olinda, destinadas ao ensino jurídico (11.08.1827, portanto, a comemorar-se em breve 190 anos); Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, depois Academia (1829); Academia Brasileira de Letras (20.07.1897, presidida por Machado de Assis); Academia Paulista de Letras (1909); e muitas outras.

A Academia Sul- Riograndense de Letras foi fundada em Porto Alegre em 01 de dezembro de 1901, estando entre seus criadores o bajeense Alcides Lima, e entre patronos de suas 40 cadeiras, os também conterrâneos Gaspar Silveira Martins e Fernando Luís Osório Filho.O número de titulares (40) é tradição respeitada desde o aparecimento da Academia Francesa.

A Academia Bajeense de Letras foi criada em 13 de junho de 1970 tendo funcionada até meados da década de oitenta, encontrando-se em fase de reestruturação e reativação.

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